Palmas – O candidato a governador Vicentinho Júnior (PSDB) foi cobrado nesta quinta-feira (1º/10) a dar explicações sobre possível envolvimento nos fatos investigados pela Polícia Federal na Operação Overclean. A cobrança partiu de um vídeo da campanha da adversária Professora Dorinha (União Brasil), que usa trechos de reportagens nacionais para questionar movimentações financeiras da empresa registrada em nome da esposa do parlamentar. “Negar a investigação e fugir do debate público não altera os fatos”, afirma o narrador na peça.
O vídeo
A peça veiculada pela campanha de Dorinha reúne trechos de reportagens do UOL e pede explicações sobre as movimentações da GMD Borba Distribuidora (confira o CNPJ da empresa). O conteúdo também questiona pagamentos suspeitos identificados pela PF e reforça o pedido de esclarecimento público ao candidato. O vídeo está disponível no Instagram da campanha.
As movimentações na empresa da esposa
Segundo reportagem do UOL baseada em relatório da PF, a GMD Borba Distribuidora, de Sítio Novo do Tocantins, empresa registrada em nome de Gillaynny Marjorie Duarte Borba de Oliveira, esposa de Vicentinho, movimentou R$ 170 milhões entre janeiro de 2019 e abril de 2025. O total equivale à soma de R$ 85 milhões em entradas e R$ 85 milhões em saídas. Os investigadores suspeitam que a empresa funcionasse como conta de passagem. O capital social registrado na Receita Federal é de R$ 100 mil. A reportagem foi publicada em 17 de dezembro de 2025 (link).
A planilha e os pagamentos suspeitos
A PF relacionou o codinome “VIC”, encontrado em uma planilha apreendida com os empresários Alex e Fábio Parente, a transferências para a empresa de Gillaynny. As reportagens identificaram R$ 260 mil em repasses da BRA Teles entre 2023 e 2024; outros pagamentos elevaram a R$ 420 mil o montante supostamente destinado ao casal. Essa frente da apuração envolve suspeitas de propina ligadas a um contrato de dedetização da Secretaria da Educação do Tocantins. Os detalhes foram retomados pelo Correio da Manhã (link).
Relatórios individualizados e o STF
Em reportagem de 29 de agosto, Malu Gaspar e Johanns Eller, de O Globo, informaram que a PF trabalhava em relatórios individualizados sobre parlamentares investigados, incluindo Vicentinho (link).
O deputado nega irregularidades e não está entre os 25 indiciados na etapa mencionada. No STF, o ministro Nunes Marques negou, em primeiro momento, pedido da PF para buscas e bloqueio de bens, por considerar insuficientes os elementos de conexão entre os pagamentos e a fraude investigada. A investigação, porém, segue no STF, em sigilo de Justiça, sob o número de petição 13388.
O episódio insere a Operação Overclean no centro da disputa ao governo do Tocantins a vinte dias do primeiro turno. Ainda que a decisão de Nunes Marques tenha barrado as medidas cautelares, a manutenção do inquérito no STF mantém o tema em aberto e sujeito a novos desdobramentos. Para a campanha de Dorinha, o vídeo transforma uma apuração técnica em questão de exposição pública; para Vicentinho, a negativa precisa se apoiar não apenas no discurso, mas na ausência de novas etapas da investigação que ampliem a conexão com os fatos. O desfecho eleitoral dependerá, em parte, da velocidade com que esses elementos forem confirmados ou descartados pela Justiça.








