Por Wesley Silas
O cenário político no Tocantins desenha um dos embates estaduais mais decisivos para o futuro do equilíbrio de poder em Brasília. Tendo a sua projeção partidária viabilizada pela família Barbalho— especialmente por meio da articulação do governador do Pará, Helder Barbalho, e do ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho, que garantiram sua ascensão ao comando do MDB no Tocantins —, o deputado federal Alexandre Guimarães (MDB-TO) tornou-se peça central nesse xadrez. Em um contexto nacional onde a direita se articula ostensivamente para dominar o Senado Federal — visando criar maioria absoluta para pautar investidas institucionais, como a cassação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) —, a candidatura de Guimarães assume papel estratégico para conter a onda conservadora e garantir a governabilidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
As articulações estão sendo alinhadas dede 2024 e uma demonstração aconteceu em julho de 2024.quando o deputado federal e presidente do MDB Tocantins, Alexandre Guimarães anunciou um grande evento em Palmas com grandes nomes do partido. Além do presidente nacional Baleia Rossi estarão os ministros Simone Tebet, Renan Filho, Jader Filho, o deputado federal Isnaldo Bulhões e o governador do Pará, Helder Barbalho.
O Cerco da Direita Tocantinense ao Senado
A oposição ao governo federal enxerga no renovado pleito senatorial a oportunidade perfeita para consolidar o controle total das representações dos estados do Norte. No Tocantins, a estratégia da direita é robusta e visa ocupar as duas vagas em disputa:
1. A Renovação Conservadora: A busca pela reeleição do senador Eduardo Gomes (PL), um dos principais expoentes da oposição e articuladores da bancada bolsonarista na Alta Câmara.
2. A Segunda cadeira: Para compor a dobradinha conservadora no segundo voto ao Senado, a direita trabalha nomes de expressiva densidade eleitoral, como os deputados federais Carlos Gaguim (União Brasil), pastor Eli Borges (Republicanos) e o ex-prefeito de Araguaína, Ronaldo Dimas (Podemos), ambos alinhados a pautas identitárias e ao avanço da oposição ao Palácio do Planalto.
3. O Efeito suplência: A complexidade da composição política no estado envolve ainda a senadora Professora Dorinha (União Brasil); caso ela venha a disputar e confirmar a vitória ao Governo do Estado nas eleições gerais, sua vaga no Senado será ocupada por sua primeira suplente, a bolsonarista Lucineide Parizi Freitas, a Professora Lu (União Brasil), adicionando mais um voto firme ao bloco oposicionista.
Diante desse arranjo, o risco real para o governo Lula é ver o Tocantins transformado em um celeiro exclusivo de votos favoráveis a pautas extremas da oposição no Congresso.
Alexandre Guimarães e Paulo Mourão (PT) como contraponto estratégico
É justamente contra esse cenário de hegemonia conservadora que a candidatura de Alexandre Guimarães e a de Paulo Mourão (PT) ganham relevância nacional. Apoiado e respaldado pela cúpula do MDB nacional, Guimarães é a peça capaz de furar o cerco da direita e dar ao arco de alianças do governo federal uma cadeira decisiva na Alta Câmara.
A eleição de Guimarães representa a garantia de que o Tocantins não entregará um “cheque em branco” à bancada de oposição radical. Como senador, seu papel será vital por três razões fundamentais:
* Barreira de contenção nacional: O MDB, integrado à base de governabilidade do governo Lula, atua como amortecedor e voto decisivo para impedir a formação da maioria qualificada (54 votos) necessária para processos extremados, como o impeachment de ministros do STF.
Canal pragmático com o desenvolvimento Regional: Em oposição ao discurso puramente ideológico da direita local, Guimarães traz a marca do municipalismo e da articulação de investimentos em infraestrutura urbana, conectando os municípios tocantinenses diretamente à Esplanada dos Ministérios (sobretudo via Ministério das Cidades).
Equilíbrio no Eleitorado do Agronegócio: Por transitar com habilidade no setor produtivo do Tocantins sem aderir ao radicalismo político, Guimarães oferece ao eleitor do estado uma opção moderada, focada em resultados concretos para o estado.
A disputa para o futuro da Governabilidade
A corrida eleitoral ao Senado no Tocantins ultrapassa as fronteiras estaduais. Uma eventual vitória da chapa dominada por Eduardo Gomes, somada a nomes como Carlos Gaguim ou Eli Borges e a consolidação de Professora Lu, entregaria à direita radical uma hegemonia perigosa para a estabilidade democrática e governamental do país.
Nesse tabuleiro de forças, eleger Alexandre Guimarães ao Senado torna-se uma prioridade tática para a base de sustentação do governo Lula. Ele representa o centro democrático, pragmático e compromissado com a governabilidade, sendo a principal força capaz de evitar a monopolização conservadora do Tocantins na Alta Câmara.








