Por Wesley Silas
A decisão do vice-governador Laurez Moreira (PSD) de declarar apoio a Vicentinho Júnior (PP) no segundo turno das eleições para o Governo do Tocantins introduz um forte debate sobre a coerência política das alianças regionais. No primeiro turno, Laurez figurou como a principal referência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado, obtendo 69.967 votos (8,24%). Agora, o gestor declara voto e engajamento na campanha de um candidato que reafirma seu alinhamento com a base conservadora, em um cenário em que Flávio Bolsonaro (PL) optou por
apoiar Dorinha.
A confirmação do posicionamento ocorreu nesta quinta-feira (8), quando Laurez afirmou que acompanhará Vicentinho Júnior e pedirá aos seus eleitores que façam o mesmo. Como justificativa pública, alegou que a rival da disputa, Professora Dorinha (UB), desempenharia um papel de maior relevância ao permanecer em seu mandato no Senado Federal. Ao ser questionado sobre a orientação ideológica do aliado tucano, Laurez limitou-se a defender a necessidade de respeito aos posicionamentos individuais.
A mudança de rumo provocou reações imediatas do campo progressista. O professor universitário Sávio Barbalho (PT) — que figurou como primeiro suplente na chapa ao Senado de Paulo Mourão (PT), coligada a Laurez no primeiro turno e votada por 129.838 eleitores — questionou a divisão do eleitorado de esquerda e o pragmatismo das lideranças regionais. Barbalho destacou que Lula obteve mais de 400 mil votos no estado, sinalizando que a expressiva votação do presidente ultrapassa as fronteiras partidárias dos candidatos conservadores (Vicentinho e Dorinha) que disputam o segundo turno.
A articulação deixa sem resposta direta o eleitorado que depositou seu voto em Laurez justamente pela conexão com o projeto do Governo Federal. A adesão a uma candidatura de perfil alinhado à oposição nacional levanta incertezas sobre a continuidade das propostas apresentadas no primeiro turno e redefine o mapa de representação da esquerda no Tocantins.
Rearranjo de poder em detrimento da integridade programática
Do ponto de vista partidário, o movimento de Laurez Moreira explicita o distanciamento entre a dinâmica política regional e as alinhamentos ideológicos operados no plano nacional. Ao migrar de um palanque respaldado pelo Palácio do Planalto para uma candidatura alinhada ao conservadorismo, o vice-governador prioriza rearranjos locais de poder em detrimento da integridade programática do bloco que o sustentou. Esse reposicionamento fragiliza a transferência de votos lulistas no segundo turno e deixa o eleitorado progressista sem uma representação orgânica na disputa direta pelo Palácio Araguaia.