Com 81% de alinhamento ao Executivo, candidato que se apresenta como de direita registra percentual superior ao de ex-ministro de Lula e de parlamentar do PSOL
Por Redação
Candidato a governador, o deputado federal Vicentinho Júnior (PSDB) apresenta o maior índice de governismo entre os oito deputados do Estado no Congresso Nacional. No Radar do Congresso, do Congresso em Foco, seu alinhamento às orientações do governo Lula chega a 81%, acima dos 79% de Celso Sabino, ex-ministro do presidente, e dos 75% de Glauber Braga (PSOL-RJ). A comparação considera percentuais de alinhamento, e não o número absoluto de votos: https://radar.congressoemfoco.com.br/governismo/camara.
Os registros contrastam com o posicionamento eleitoral adotado pelo candidato. Em entrevista coletiva nesta segunda-feira, 5 de outubro, Vicentinho declarou apoio a Flávio Bolsonaro e afirmou: “Eu sou um homem de direita”. Na Câmara, entretanto, o parlamentar apoiou propostas centrais do governo petista, inclusive em votações nas quais o PL e todo o bolsonarismo orientou seus deputados a votar contra.
Entre esses votos estão a aprovação da estrutura ministerial de Lula, em 2023, documentada em https://www.camara.leg.br/presenca-comissoes/votacao-portal?itemVotacao=11492&reuniao=68364; a Reforma Tributária, em julho daquele ano, registrada em https://www.camara.leg.br/presenca-comissoes/votacao-portal?itemVotacao=11531&reuniao=68884; e o PLP 210/2024, integrante do pacote de contenção de despesas, em dezembro de 2024, disponível em https://www.camara.leg.br/presenca-comissoes/votacao-portal?itemVotacao=12666&reuniao=75358. Nas três votações, Vicentinho votou “sim”, acompanhando o governo, enquanto o PL e direita orientou “não”.
Mais lulistas que parlamentares de Lula
Na comparação nacional, Vicentinho também supera Eunício Oliveira (MDB-CE), que registra 79% de governismo e declarou apoio à reeleição de Lula em 2026. Sabino, igualmente com 79%, chegou a ser expulso do União Brasil por permanecer no ministério contra a determinação partidária. Já Glauber Braga, com 75%, representa uma esquerda crítica ao governo, sem alinhamento automático ao Planalto.
Entre os demais deputados federais do Tocantins, Antonio Andrade (PSDB) aparece com 80%, seguido por Ricardo Ayres (Republicanos), com 78%; Carlos Gaguim (União Brasil), 77%; Alexandre Guimarães (MDB), 76%; Tiago Dimas (Podemos), 75%; Eli Borges (PL), 32%; e Filipe Martins (PL), 24%. Vicentinho, portanto, ocupa a primeira posição da bancada no indicador. Os resultados estão disponíveis em https://radar.congressoemfoco.com.br/governismo/camara.
A consulta foi realizada em 6 de outubro de 2026, na base identificada pelo Radar como atualizada em 19 de agosto. O indicador mede alinhamento à orientação do Executivo nas votações consideradas pelo monitoramento; os exemplos de pautas centrais foram conferidos separadamente nos registros oficiais da Câmara. Os períodos de exercício do mandato variam entre os parlamentares, especialmente em casos de licença para ocupar ministérios.
Começo no PSB
Vicentinho Júnior iniciou sua trajetória eleitoral nacional pelo PSB, partido de esquerda pelo qual foi eleito deputado federal pela primeira vez em 2014 e tomou posse em 2015. No ano seguinte, migrou para o PR e, em 17 de abril de 2016, durante a votação que autorizou a abertura do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), foi um dos deputados do Tocantins a votar contra o afastamento. Ao justificar a posição no plenário, afirmou votar “não” em respeito ao voto popular e à segurança das instituições. Em 2022, o seu pai, o ex-senador Vicentinho Alves, fez campanha aberta pela eleição do então candidato Lula.
Fonte: Ascom Dorinha







