
da redação
Na manhã desta terça-feira (15/7), moradores de Nova Olinda, na região norte do Tocantins, foram surpreendidos por uma movimentação intensa de policiais civis no prédio da Prefeitura. A ação faz parte da Operação Python, deflagrada pela Polícia Civil do Tocantins para apurar um possível esquema de corrupção envolvendo gestores públicos, servidores e escritórios de contabilidade.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Tocantins (SSP-TO), estão sendo cumpridos 10 mandados de busca e apreensão autorizados pelo Tribunal de Justiça do Estado. Os mandados têm como alvos agentes públicos com atuação direta na administração municipal e escritórios privados supostamente envolvidos nas irregularidades.
A investigação aponta para a possível existência de uma organização criminosa estruturada com o objetivo de desviar recursos públicos por meio de contratos fraudulentos e favorecimentos ilícitos.
A SSP informou que os detalhes da investigação serão apresentados à imprensa assim que os levantamentos forem concluídos e ressaltou que a operação segue em andamento, com diligências sendo realizadas em diversos endereços ligados aos investigados.
INVESTIGAÇÃO DO MPTO
Um suposto esquema de desvio de recursos públicos, por meio da prática conhecida como rachadinha, foi investigado pelo Ministério Público do Tocantins (MPTO) na Prefeitura de Nova Olinda, no norte do estado. A apuração foi conduzida pela 14ª Promotoria de Justiça de Araguaína e apontou possíveis irregularidades envolvendo agentes públicos e empresários da área de assessoria contábil. Entre os investigados está o atual prefeito, Jesus Evaristo Cardoso.
Segundo a denúncia, entre 2021 e 2024, uma empresa de contabilidade contratada pela prefeitura teria recebido R$ 1.613.610,81 dos cofres públicos. Há suspeita de que parte do montante tenha sido desviada por meio de conluio entre servidores públicos e representantes da empresa. O MPTO também apurou que a mesma firma mantém contratos com outras prefeituras tocantinenses, como Arapoema e Ananás, firmados com dispensa de licitação, somando mais de R$ 1 milhão em recursos públicos.
Diante dos indícios, o Ministério Público requisitou à Delegacia de Polícia de Nova Olinda a abertura de inquérito para aprofundar as investigações e apurar as responsabilidades individuais.
Em resposta enviada no dia 4 de fevereiro de 2025, o gabinete do prefeito Jesus Evaristo alegou que a contratação da empresa foi realizada em janeiro de 2021, ainda durante a gestão do ex-prefeito Temístocles Domingos, falecido em decorrência da Covid-19. Conforme o documento, o atual prefeito assumiu o cargo apenas na última semana de abril daquele ano e, portanto, não teria participado da formalização do contrato nem possuiria vínculos com os representantes da empresa investigada.
Quanto aos extratos de transferências via PIX anexados à investigação – que indicam repasses entre o representante da empresa e um secretário do município -, a prefeitura afirmou desconhecer as motivações das transações. A gestão classificou os pagamentos como “atos entre particulares”, argumentando não haver elementos suficientes para comprovar que se tratam de propina com fins pessoais ou políticos.
A reportagem aguarda posicionamento oficial da Prefeitura de Nova Olinda sobre a operação da Polícia Civil.







