Por Wesley Silas
A secretária municipal da Mulher e Cidadania de Gurupi, Cristina Donato Leandro, subiu o tom contra a organização da caravana “Mulheres que Transformam o Tocantins”, liderada pelo pré-candidato ao governo, Vicentinho Júnior. Em vídeo publicado após o evento realizado na noite de sábado (25), a gestora apontou falhas na articulação política e criticou o que considera um uso meramente figurativo da imagem feminina na pré-campanha.
Homenageada recentemente pela Defensoria Pública do Estado (DPE-TO) pelo trabalho em prol das tocantinenses, Cristina questionou a ausência de diálogo com lideranças que já ocupam espaços de decisão, especialmente em uma cidade como Gurupi, gerida por uma mulher, a prefeita Josi Nunes.
Onde estão as decisões?
Para a secretária, existe um contraste entre o discurso de “articulação feminina” e a prática de exclusão de vozes consolidadas. Ela ressaltou que a participação da mulher na política não pode ser limitada a ouvir, mas deve garantir o direito de fala e de decisão.
“A minha pergunta é: onde nós, mulheres, estamos ocupando posições de decisão? A mulher só é realmente ouvida quando senta à mesa, opina e deixa de ser coadjuvante para ser a atriz principal”, afirmou Cristina Donato.
O fator Professora Dorinha e a gestão local
Um dos pontos centrais da indignação da secretária é a tentativa de construir uma narrativa de organização feminina que parece ignorar lideranças já estabelecidas no estado. Cristina destacou:
Representatividade Estadual: A gestora lembrou que o Tocantins possui a pré-candidatura da Professora Dorinha, uma figura central na disputa majoritária, o que exige um respeito maior à autonomia e ao espaço de fala das mulheres.
Contexto de Gurupi: A secretária enfatizou a contradição de se realizar um evento focado no “protagonismo feminino” em Gurupi sem incluir a Secretaria da Mulher ou considerar a força da gestão municipal, hoje sob comando feminino.
Crítica ao “Manterrupting” e silenciamento
Cristina Donato também descreveu as dificuldades estruturais que mulheres enfrentam em ambientes políticos dominados por homens, mencionando a necessidade de falar “em um fôlego só” para não serem interrompidas ou terem suas falas tomadas por figuras masculinas.
“Enquanto temos uma pré-candidata mulher, estão querendo, a todo custo, nos dizer como as mulheres estão se organizando. Mas, quando ocupamos os espaços principais, todos ganham”, concluiu a secretária, fazendo um apelo por uma política que vá além do simbolismo.
O Portal Atitude mantém aberto para o contraditório e reserva o mesmo espaço à coordenação da pré-campanha de Vicentinho Júnior para se manifestar sobre as críticas da secretária.







