Gaesp instaura procedimento para avaliar protocolos de segurança e equipamentos do Corpo de Bombeiros diante da expansão da frota eletrificada no Tocantins
Por Redação
O Ministério Público do Tocantins (MPTO) instaurou um procedimento administrativo para verificar a capacidade de resposta do Estado a incêndios envolvendo veículos elétricos e híbridos. A investigação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp), foca na preparação técnica e estrutural do Corpo de Bombeiros Militar (CBMTO) para lidar com as particularidades das baterias de íon-lítio, cuja frota cresce aceleradamente em polos como Palmas, Araguaína e Gurupi.

A iniciativa, coordenada pelo promotor João Edson de Souza, fundamenta-se nos riscos específicos desses veículos, como o fenômeno da fuga térmica (thermal runaway). Diferente dos incêndios convencionais, as baterias eletrificadas geram calor extremo, risco de reignição e exigem resfriamento contínuo por longos períodos. Um caso recente em Palmas, onde um carro elétrico incendiou-se durante o carregamento residencial, serviu de alerta para a necessidade de protocolos específicos.
Pontos centrais da investigação
O Ministério Público notificou o Corpo de Bombeiros, o Detran-TO e a Secretaria da Fazenda para que prestem informações em até 15 dias sobre:
- Existência de Protocolos Operacionais Padrão (POP) específicos;
- Treinamento técnico da tropa e disponibilidade de insumos de combate;
- Dados atualizados sobre o crescimento da frota eletrificada no estado;
- Histórico de ocorrências registradas nos últimos três anos.
A segurança pública enfrenta um desafio tecnológico proporcional ao incentivo fiscal. No Tocantins, a isenção do IPVA até 2027 para veículos eletrificados estimula o mercado, mas a estrutura de resposta a emergências não pode avançar em velocidade inferior à das vendas.
10 vezes mais água que um veículo a combustão
Fontes especializadas em segurança contra incêndio, como a National Fire Protection Association (NFPA), reforçam que o combate a incêndios em baterias de lítio demanda até dez vezes mais água que um veículo a combustão e equipamentos de isolamento térmico avançados. A atuação preventiva do Gaesp é, portanto, essencial para garantir que a inovação sustentável não se converta em um risco descontrolado para cidadãos e socorristas, assegurando que o Estado cumpra o princípio da prevenção antes que novas ocorrências de grande magnitude se concretizem.







