Estudo do Campus Gurupi revela que trabalhador precisa dedicar mais de 117 horas mensais apenas para garantir a alimentação básica; tomate foi o grande vilão do mês.
Por Wesley Silas
GURUPI – O custo de vida no Sul do Tocantins deu um salto no último mês. Segundo dados do projeto Índice da Cesta Básica de Gurupi (ICBG), realizado pelo Instituto Federal do Tocantins (IFTO), a cesta básica fechou o mês de março de 2026 custando R$ 805,20. O valor representa uma alta de 5,39% em comparação a fevereiro, quando o conjunto de alimentos essenciais custava R$ 763,99.
O levantamento, coordenado pelo professor Francisco Viana e executado por estudantes de Gestão Pública, monitora quinzenalmente 15 estabelecimentos da cidade, entre pequenos mercados e grandes redes, para traçar o perfil do consumo local.
O Vilão do Prato: Tomate sobe 37%
A variação de preços em março foi impulsionada por itens de grande consumo. O tomate liderou as altas com uma elevação expressiva de 37,1%. Outros itens que pressionaram o orçamento foram o feijão, a banana e o arroz.
Por outro lado, o consumidor encontrou um leve alívio em produtos como açúcar, óleo de soja, margarina, farinha e leite, que registraram queda nos preços, equilibrando parcialmente a dinâmica do índice.
Impacto no Bolso e Jornada de Trabalho
Para o cidadão de Gurupi que recebe o salário-mínimo atual de R$ 1.621, o impacto é direto no relógio. Para comprar os alimentos básicos de um adulto, foi necessário trabalhar 117 horas e 10 minutos em março — um tempo superior ao exigido no mês anterior.
Quando o cenário é uma família (dois adultos e duas crianças), o custo para se alimentar adequadamente sobe para R$ 2.415,60.

O “Abismo” Salarial
Um dos dados mais impactantes da pesquisa do IFTO é o cálculo do salário-mínimo ideal. Para suprir não apenas a alimentação, mas também moradia, saúde, educação, transporte e lazer em Gurupi, o valor deveria ser de R$ 6.764,49 — o que equivale a 4,17 vezes o piso nacional vigente.
”O monitoramento mensal permite identificar as oscilações e compreender os fatores que impactam diretamente o orçamento das famílias. Essas informações são fundamentais para orientar decisões e políticas públicas”, destaca o coordenador da pesquisa, Francisco Viana Cruz.
Educação e Sociedade
A pesquisa une a prática acadêmica ao serviço social. Os dados foram coletados por alunos do 1º período de Gestão Pública na disciplina de Extensão I. Além de formar profissionais mais atentos à realidade econômica, o projeto fornece uma série histórica que auxilia gestores e a população na compreensão do custo de vida na região sul do estado.
Clique aqui e confira na íntegra o resultado da pesquisa








