A precariedade das vias de acesso à região da Lagoa do Romão compromete o escoamento da safra de grãos, o transporte escolar e a economia de uma das áreas mais promissoras do agronegócio tocantinense.
Por Wesley Silas
O crescimento pujante do agronegócio em Peixe esbarra em um obstáculo antigo, mas cada vez mais crítico: a infraestrutura. Moradores, produtores rurais e motoristas que trafegam pelas estradas vicinais de acesso à Lagoa do Romão, na margem direita do Rio Tocantins, enfrentam diariamente o abandono das vias. O cenário, que já era difícil, tornou-se insustentável com a intensificação do tráfego de carretas durante a colheita da soja e do milho.

O Custo da Ineficiência
Para o caminhoneiro, o trajeto é um teste de resistência. A falta de manutenção das estradas vicinais eleva o custo do frete, causa quebras mecânicas constantes e atrasa a entrega da produção. Para o produtor rural, que investe alto em tecnologia e insumos para transformar a região em referência na produção de grãos e pecuária, sentimento é de insegurança jurídica e operacional.
“A região está se consolidando como um polo agrícola, mas o poder público não acompanha o ritmo do setor privado. Estamos produzindo riqueza em cima de poeira e lama”, afirma um produtor local.
O Isolamento da Margem Direita
Além do solo castigado das estradas, a comunidade enfrenta um isolamento logístico severo. Há dois anos, a balsa que realizava a travessia do Rio Tocantins está fora de operação. Sem o equipamento, moradores e produtores são obrigados a percorrer um desvio que aumenta o trajeto em mais de 50 quilômetros para chegar à sede do município.
Esse “vazio logístico” impacta diretamente:
Educação: Ônibus escolares enfrentam riscos e atrasos, prejudicando o calendário letivo dos alunos da zona rural.
Saúde: O tempo de resposta para emergências médicas é dobrado devido à distância extra e ao estado das vias.
Economia: O custo logístico reduz a competitividade dos produtos de Peixe no mercado regional.
Relevância Eleitoral e Econômica
A negligência com a margem direita ignora uma parcela significativa do eleitorado de Peixe. A região concentra famílias que dependem do serviço público básico e que hoje se sentem invisíveis. Em um ano decisivo para o planejamento municipal, a recuperação da malha viária e o retorno da balsa deixaram de ser pedidos de conveniência para se tornarem obrigações urgentes para a sustentabilidade do agronegócio e a dignidade da população local.
O Portal Atitude seguirá acompanhando a situação e permanece com espaço aberto para que as autoridades responsáveis apresentem um cronograma de obras e soluções para a região.









