Mesmo após quase uma década de habilitação e venda de concessão, o terminal estratégico para o escoamento de grãos no Tocantins permanece como uma promessa não cumprida, enquanto concorrentes avançam na região.
Por Wesley Silas
O Pátio Intermodal da Ferrovia Norte-Sul (FNS) em Gurupi vive hoje uma realidade de contrastes profundos. De um lado, o “Pátio Fantasma” sob responsabilidade da Porto Seco Centro Oeste S/A, que desde 2017 não movimentou, praticamente, uma única tonelada de grãos na área oficial. Do outro, a eficiência do agronegócio tocantinense: o Grupo Fazendão, em parceria com a operadora Rumo, rompeu a paralisia logística da região ao implantar e colocar em operação o primeiro terminal de grãos de Gurupi, conectando a produção local diretamente ao Porto de Santos.
A movimentação de cargas no Pátio Intermodal da Ferrovia Norte-Sul (FNS) em Gurupi, que deveria ser o motor econômico da região sul do Tocantins, segue travada pela inércia operacional da Porto Seco Centro Oeste S/A. Habilitada desde 2016 e detentora da concessão após adquiri-la da Transportadora Trans Siri Ltda em 2017, a empresa ainda não transformou o canteiro em um terminal ativo, descumprindo prazos estabelecidos no edital original de concessão.
O imbróglio começou há oito anos. Em maio de 2016, a Valec (hoje Infra S.A.) assinou o contrato de concessão do pátio de Gurupi. De acordo com o Edital nº 001/2016, a empresa vencedora tinha o compromisso de colocar em operação, no mínimo, um terminal de carga no prazo de um ano após a publicação do contrato no Diário Oficial da União (DOU).
As metas de produtividade eram claras:
- Primeiro ano de operação: Movimentação mínima de 294 mil toneladas.
- A partir do segundo ano: Aumento para 500 mil toneladas anuais.
Entretanto, após a transferência do controle para o grupo Porto Seco Centro-Oeste em 2017, o cronograma entrou em um limbo técnico. Enquanto a concessionária alega interferências e aguarda licenciamentos ambientais (que estariam em curso desde 2024), o setor produtivo de Gurupi observa o potencial logístico ser subutilizado.
Contraste regional: O avanço da concorrência
Enquanto o pátio concedido à Porto Seco não decola, o cenário logístico de Gurupi viu mudanças drásticas recentemente. Em novembro de 2025, a operadora Rumo, em parceria com o Grupo Fazendão, inaugurou um novo terminal de grãos em Gurupi. Esta estrutura privada já se conectou à Malha Central da Ferrovia Norte-Sul, escoando soja e milho diretamente para o Porto de Santos (SP), evidenciando que a viabilidade da ferrovia é real e imediata para quem investe em infraestrutura.

A paralisia do Pátio Intermodal de Gurupi pela Porto Seco Centro Oeste S/A não é apenas uma falha contratual; é um entrave ao desenvolvimento do agronegócio tocantinense. Ao manter uma concessão estratégica sem a devida operação, a empresa retém uma área que poderia estar gerando empregos, impostos e competitividade para o sul do Estado.
A omissão dos órgãos reguladores, como a ANTT e o Ministério dos Transportes, em fiscalizar o cumprimento das metas de movimentação de carga do edital de 2016 permite que o terminal continue existindo apenas no papel. Gurupi não pode mais esperar por “adequações de projeto” que já duram nove anos enquanto a safra tocantinense busca alternativas mais caras e distantes por falta de eficiência local.
Fontes Consultadas
- Infra S.A. (Ex-Valec): Contrato de Concessão de Uso de Área nº 003/2016.
- ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres): Relatórios de fiscalização de terminais.
- Ministério dos Transportes: Plano Nacional de Logística Ferroviária (2025-2026).
- Acervo Portal Atitude: Cobertura do acompanhamento do caso Gurupi (2016-2026).








