Por Redação
O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Tocantins (CRMV-TO), em parceria com o Conselho Federal e representantes de seis instituições de ensino superior, divulgou nesta semana um manifesto em defesa do ensino presencial nos cursos de Medicina Veterinária e Zootecnia. O documento, assinado por entidades acadêmicas do estado, argumenta que a formação nessas áreas exige vivência prática presencial como condição estruturante do processo formativo.
Formação prática como pilar
A Medicina Veterinária e a Zootecnia são profissões de alta complexidade técnica, científica e social, segundo o manifesto. A construção das competências profissionais, defende o documento, depende da participação dos estudantes em atividades laboratoriais, clínicas, cirúrgicas, hospitalares, zootécnicas e de campo — além do contato direto com animais, equipes multiprofissionais e situações reais de atuação.

No caso da Medicina Veterinária, a formação está ligada à saúde animal, saúde pública, segurança alimentar, inspeção de produtos de origem animal, controle de zoonoses e bem-estar animal. Na Zootecnia, as exigências práticas envolvem manejo animal, nutrição, melhoramento genético, reprodução, gestão da produção e sustentabilidade dos sistemas produtivos.
Modelos semipresenciais sob questão
O manifesto sustenta que a ampliação de modelos semipresenciais pode comprometer a integralidade da formação prática e a consolidação das competências exigidas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais. Os signatários afirmam que a defesa do ensino presencial não representa oposição à inovação pedagógica ou ao uso de tecnologias educacionais, mas sim o reconhecimento de que a presencialidade é indispensável nas áreas citadas.
Instituições signatárias
Assinam o manifesto: Centro Universitário Católica do Tocantins (UniCatólica), Universidade Federal do Tocantins – Campus Gurupi (UFT), Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), Instituto Federal do Tocantins (IFTO), Centro Universitário Unitop e Faculdade de Ciências do Tocantins (FACIT).
Peso da agenda
O documento chega em um momento em que o debate sobre a expansão do ensino a distância no Brasil ganhou tração política e regulatória. No governo federal, o Ministério da Educação tem sido pressionado a rever normas que flexibilizam a oferta de cursos superiores na modalidade EaD, especialmente em áreas da saúde. O posicionamento unificado de conselhos profissionais e instituições de ensino no Tocantins reforça a pressão por maior regulação — mas também expõe a fragilidade de um modelo que, sem infraestrutura adequada de laboratórios e campos de estágio, dificilmente sustentaria a qualidade prometida nos projetos pedagógicos.







