por Wesley Silas
Este capítulo da história de uma família que sobrevive do lixo produzido pelos gurupienses começou nas redes sociais nesta segunda-feira, 08, depois que mãe apavorada ligou para o vereador Jonas Barros, que se encontra em Goiânia (GO). Em seguida o vereador denunciou ao Portal Portal Atitude e afirmou que fez uma postagem um grupo da OAB Gurupi, sugerindo ao Presidente da Subseção de Gurupi, Albery César de Oliveira, que intermediasse junto à Comissão de Direitos humanos da entidade para acompanhar a denúncia.
O menor é filho de uma catadora de material reciclável e de um guarda do aterro sanitário de Gurupi e tem um irmão preso por tráfico de drogas, uma irmãzinha de 05 anos e um outro irmão que, por ser evangélico, se livrou das drogas, mas, encontra-se desempregado. Como diz as pessoas mais antigas “quer ser gente na vida”, busca estudar e procura uma vaga de emprego. Os pais são separados há mais de um ano e filhos ficaram sob a tutela do pai.
“Já pegaram ele e se não fosse o pai dele, que chegou na hora, eles tinham matado o meu filho e eles ameaçaram matar até o próprio pai do menino. Tenho uma filha de cinco anos e tive que tirar ela de lá porque tenho mede deles fazerem besteira com a minha filha. Ele usa droga e a gente peleja para tirar ele daqui de Gurupi e não acha uma ajuda”, disse a mãe do adolescente, Marilene Moreira de Carvalho.
Segundo relatos dos pais, o menor E.R.S vive uma situação de extrema vulnerabilidade e vive acuado entre as vitimas de seus próprio roubos que lhes ameaçam para recuperar o prejuízo e de traficantes que o ameaçam para receber a droga vendida.
No entanto, os pais do menor se eximem da culpa do caminho que o filho tomou, culpa as más companhias e, para tirar o filho da situação que se encontra, quer que garoto seja internado nem que seja no Centro de Internação Provisória – Ceip/Sul de Gurupi.
“Desde os 11 anos ele vem mexendo com drogas e tudo iniciou depois que ele se envolveu com uns malandros. A gente quer tirar ele daqui. Ele estava na Semiliberdade depois que fugiu se ajuntou outros e entraram em uma casa e rouboram umas coisas de um rapaz. Ele já devolveu os objetos que estavam com ele, mas os outros não querem entregar porque fica com medo de entregá-los”, disse o pai do menor, José Francisco.
De acordo com a mãe, o menor esteve internado na CEIP Sul. “Ele estava na CEIP Sul e quando completou três meses foi conduzido para a Semiliberdade e o levei numa segunda-feira e por volta das 13h da terça-feira ele fugiu”, disse a mãe, Marilene de Carvalho. Acrescentou ainda que o filho não estuda e que a família aguarda uma medida do juizado da Infância e Juventude. “Ele não estuda e nenhum colégio quer ele. Está difícil e quero tirar ele daqui. Hoje ele me falou que se arrumar um local para interná-lo ele vai”.
Quando estávamos entrevistando os pais, o menor chegou em casa com a garupa da bicicleta carregada de lixo reciclável. A visão que tivemos foi de um adolescente comum, com vocabulário sem gírias e nos poucos minutos de conversas ele pedia ajuda para se livrar da dependência química do crack. “Eu quero me livrar deste vício”, resumiu.
A situação do menor E.R.S, 14, anos mostra uma ponta dos problemas da indústria das drogas onde os dependentes são mais marginalizados dos que os traficantes, enquanto o sistema com sua legislação frouxa e permissiva joga o problemas para as família (maioria desajustada), que joga para o Estado (falido e sem políticas públicas para combater a violência), que joga para as Escolas (depósito de professores doentes) e, por fim segue o circulo onde boa parte do peso da responsabilidade acaba sendo colocado nas polícias.







