Falta de representatividade, irregularidades na gestão, acordos coletivos negativos para categoria e suspeitas graves de uso indevido do dinheiro da entidade para fins particulares.
Por causa desse conjunto de motivos um grupo de operários da construção civil está buscando mudanças radicais no STICCP (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de Palmas).
Apesar do nome do sindicato, a abrangência da entidade é estadual, o que lhe dá poderes para representar os trabalhadores da construção civil em todo o Tocantins. São mais de 6 mil pessoas, sendo 1,8 mil em Palmas, que deveriam estar sendo protegidas pelo sindicato.

No entanto, os líderes do movimento dizem que isso, na prática, nunca ocorreu. Com o mesmo presidente há cerca de 20 anos, o STICCP deixa a desejar, o que causa um sentimento de abandono por parte dos trabalhadores. “Na prática, o sindicato nunca fez nada de positivo pela gente e sequer aparece nos momentos nos quais mais precisamos”, ressaltou Waldo Paiakan, que é trabalhador da construção civil há mais de 25 anos.
O grupo de insatisfeitos está reunindo assinaturas para provocar uma mudança radical no sindicato. Já são mais de 800 assinaturas de operários apoiando à iniciativa. “Temos total receptividade a ideia, pois todo mundo está vendo que há muita coisa errada”, frisou Antônio Alves.
Presidido por José Raimundo Ferreira de Souza, o sindicato, segundo eles, não tem o mínimo de transparência e tem uma modalidade para lá de peculiar para renovar o mandato dos atuais dirigentes. Com dois tipos de filiados – associados e afiliados -, o direito a voto está reservado para o grupo restrito de afiliados. Assim, todos os trabalhadores da construção civil associados pagam por mês e não votam. Os afiliados são escolhidos pelo próprio presidente.
“Esse modelo é antidemocrático e fez com que o atual presidente se perpetuasse no poder”, destacou Sr. Raimundo Ferreira, que também organiza o abaixo assinado.
Irregularidades
Além desses problemas, haveria graves problemas na administração do dinheiro dos sindicatos. Uma ação na Justiça afirma que o pagamento mensal do presidente supera os R$ 5 mil, podendo ser até oito vezes maior em alguns meses. O salário médio da categoria é de R$ 1,5 mil e o subsídio do presidente do sindicato deveria ser calculado com base nesse valor.
A ação aponta, ainda, uma dilapidação do patrimônio do sindicato com pagamentos de festas particulares, manutenção de sítio do atual presidente, pagamento de despesas particulares de suposta amante do presidente, negociatas com propinas em contratos com fornecedores, pagamento de diárias inexistentes, entre outros.
A inicial da ação apresenta documentos, como cópias de cheques, comprovantes de pagamentos, para cada um dos crimes citados.
O processo tem o número de 0001419-80.2017.5.10.0802 e tramita na Justiça do Trabalho do Tocantins. Acesse AQUI o site para consultar o andamento da ação.







