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Destaques

Intervenção militar e as “pessoas de bem”

Atitude TocantinsPor Atitude Tocantins5 de junho de 2018 - 19:144 minutos de leitura
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“As chamadas “pessoas de bem” em geral, ao longo da história mundial tem sido protagonistas de arbitrariedades praticadas contra aqueles que se mostram diferentes as suas idéias e ações; como o Nazismo, na Alemanha de Hitler, que matou mais de seis milhões de judeus e perseguiu gays, negros e militantes de esquerda, e o Fascismo, na Itália de Mussolini.” João Nunes da Silva.


por João Nunes da Silva

Doutor em comunicação e cultura contemporâneas, Mestre em Sociologia e professor da UFT Campus de Miracema-TO.Trabalha com projetos em cinema e educação.


Tenho observado que algumas pessoas inadvertidamente têm se colocado em defesa de uma intervenção militar no Brasil atual. Várias dessas pessoas em geral se colocam como “pessoas de bem”.

A Intervenção Militar, quando não se trata de golpe, é regulamentada pela Constituição; esse não é o caso do que as pessoas sem noção têm defendido por aí. Tais pessoas imaginam que a implantação de um regime militar é a solução para todos os problemas que o país enfrenta.

É importante se perguntar quais os fatores que possivelmente levam algumas pessoas desejarem uma intervenção militar como a solução de todos os problemas que o país enfrenta.

É fato que cada vez mais a população se mostra desacreditada com os nossos políticos, mas, também é fato que os nossos representantes políticos em geral estão no poder porque foram colocados pelo voto do eleitor, com exceção de Temer, que chegou ao poder por meio de mais um golpe ancorado pela grande mídia, pelo judiciário, pelo Congresso e pela elite financeira nacional e internacional.

Quem defende uma intervenção militar em sua maioria não tem a menor noção do que representa uma Ditadura Militar, nem tampouco sabe do que aconteceu no Brasil com a instituição do Golpe Militar a partir de 31 de março de 1964 até 1985.

Sim, é bom lembrar que o nosso país já viveu uma ditadura militar que durou 21 anos e contou com o aval de setores conservadores da sociedade: Igreja, empresários, inclusive grandes empresas de comunicação, políticos e com o judiciário, dentre outros setores.

A ditadura militar criminalizou os movimentos sociais, principalmente os militantes de esquerda, políticos, religiosos e qualquer cidadão que se colocasse contra o regime de exceção.

Com o regime militar várias pessoas foram presas, torturadas, assassinadas e desaparecidas. Foi implantada a censura, nas escolas foram proibidas as disciplinas de Filosofia e de Sociologia e a educação passou a ser prioritariamente tecnicista.

“A tortura foi institucionalizada e qualquer pessoa que fosse considerada subversiva”, João Nunes.

A tortura foi institucionalizada e qualquer pessoa que fosse considerada subversiva era presa e torturada ou assassinada.

Várias pessoas que defenderam a ditadura se consideravam “pessoas de bem”, ao mesmo tempo em que ignoravam ou até concordavam com as torturas a que eram submetidas os presos políticos.

As chamadas “pessoas de bem” em geral, ao longo da história mundial tem sido protagonistas de arbitrariedades praticadas contra aqueles que se mostram diferentes as suas idéias e ações; como o Nazismo, na Alemanha de Hitler, que matou mais de seis milhões de judeus e perseguiu gays, negros e militantes de esquerda, e o Fascismo, na Itália de Mussolini.

Assim como tem acontecido no momento atual do país as autodenominadas “pessoas de bem” se mostram contra a política, ao mesmo tempo em que ignoram que só aceitam a sua política. É muito comum entre aqueles que se colocam como “pessoas de bem” o uso palavras como Deus, Pátria e Família e adoram falar contra a corrupção. Esse é o típico fascista.

Não foi por acaso que no período da Ditadura Militar a “Marcha da família com Deus” foi o nome das manifestações que aconteceram a favor do Regime Militar. O principal argumento era lutar contra o comunismo e contra a corrupção.

Nos sul dos Estados Unidos, durante o regime do Apartheid várias pessoas consideradas do bem se vestiam de banco, usavam um capuz, também branco, e saiam pelas ruas para atacar os negros, queimar suas casas, torturar e até matar as pessoas de cor. Essas pessoas eram brancas e extremamente religiosas; muitos eram empresários, militares e formavam um grupo racista chamado Ku Klux Klan.

Aqueles que defendem a ditadura militar sem saberem o que defendem ignoram que a primeira coisa que vão perder é o direito de defesa e sua liberdade.

Estude para saber mais e não ser mais um sem noção.

Ditadura Militar Intervenção Militar João Nunes da Silva
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