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Podemos nos alimentar sem morrer de sede?

Atitude TocantinsPor Atitude Tocantins21 de abril de 2018 - 00:353 minutos de leitura
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A escassez de água é um desafio mundial. Nos próximos trinta anos teremos que produzir 70% a mais de alimentos para alimentar a 9 bilhões de pessoas. E a disponibilidade de água doce será um problema chave. Porque sem água, não há comida. Simples assim. Então, podemos nos alimentar sem morrer de sede?

por:  Julio Berdeguée Elizabeth Coble


Nos últimos cem anos aumentamos a extração mundial de água doce oito vezes, chegando a 4000 km3 por ano. Em nível mundial, deste mar imenso de água doce, 70% são usados para a produção de alimentos.

A região da América Latina e o Caribe é a que tem a maior disponibilidade de água doce, com quase um terço do volume do planeta e com apenas 9% da população. Na teoria, temos 24 mil metros cúbicos por pessoa, um mundo de água.

Imagem do Rio Formoso registrada no dia 15 de agosto por um leitor do Portal Atitude

Entretanto, um terço da população regional vive em zonas áridas e semiáridas e, como muitas outras coisas, a água também é distribuída de forma desigual na América Latina e no Caribe. O consumo médio per capita na região é de 240 litros por dia, mas o consumo médio de uma família classe média alta no Peru, vivendo em San Isidro, é 25 vezes maior do que o de uma família pobre em Lurigancho.

Apesar do que foi mencionado, somos uma das regiões com maior potencial para aumentar significativamente a sua área agrícola irrigada. Na região, dois terços deste potencial encontram-se em quatro países: Argentina, Brasil, México e Peru. Na região, a irrigação poderia ser ampliada para uma área equivalente a 106 milhões de campos de futebol. Apenas um quinto dessa superfície é irrigada hoje. Este não é um fator menor: um hectare irrigado produz três vezes mais alimentos do que um que dependa da chuva.

Expandir a área irrigada é caro. E tem um lado escuro do ponto de vista ambiental e social. Felizmente, hoje existem variedades de plantas e animais que permitem produzir mais alimentos com menos água. Além disso, podemos usar a água de forma muito mais eficiente, se os sistemas de irrigação forem modernizados e forem adotadas técnicas que melhorem a qualidade do solo para que ele armazene mais água durante mais tempo.

Implementar estas medidas requer mais esforço: mais investimento público e privado, mais organização social, melhor governança da água, dos solos e dos sistemas alimentares. E políticas públicas que facilitem o que foi mencionado anteriormente.

Então, podemos nos alimentar sem morrer de sede? A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) é enfática a este respeito: sim, já que podemos produzir muito mais alimentos com muito menos água. Mas devemos começar hoje mesmo.

 Julio Berdegué é Representante Regional da FAO, e Elizabeth Coble, consultora da FAO

Crise hídrica
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