Por Wesley Silas
A cada ano, a Copa do Craque se distancia de sua função original: revelar bons jogadores de base. Em vez de ser uma vitrine para jovens talentos e um espaço de promoção do esporte, o que se vê é uma disputa de poder travada de costas para o campo, alimentada por “patrocínios” de cunho político e por uma programação festiva que pouco ou nada tem a ver com futebol.
Shows de gosto duvidoso, com contratação de artistas de funk cujas letras remetem a bailes de favela com forte apelo sexual, machista e de exaltação a comportamentos questionáveis, acabam ocupando o centro das atenções. Nesse cenário, o futebol – que deveria ser o protagonista – é empurrado para as margens, tornando-se figurante em um evento que já não cumpre seu propósito esportivo nem social.
Ano após ano, a degradação da Copa do Craque se aprofunda e o esporte se torna o último da fila em um ambiente dominado por interesses que nada têm a ver com a formação de atletas ou a promoção de valores positivos.
Violência
A final da competição, realizada neste domingo, dia 1º, terminou em tragédia: quatro pessoas foram baleadas, sendo uma em estado grave e três com ferimentos leves.
Há suspeita de que os envolvidos no crime integrem uma facção criminosa. O autor dos disparos foi preso, e a arma utilizada foi apreendida pela Polícia Militar.
O Corpo de Bombeiros realizou o resgate de um homem vítima de tentativa de homicídio durante um show que ocorria na programação da Copa do Craque.
A sucessão de episódios de violência e a deturpação da proposta original da Copa do Craque não são fatos isolados: refletem a captura de um evento esportivo por interesses políticos, econômicos e criminais. Quando o palco do futebol é substituído por um ambiente de ostentação, desordem e risco, perde-se não apenas a chance de revelar talentos, mas também a oportunidade de usar o esporte como instrumento de inclusão, cidadania e transformação social.
Se não houver uma ruptura clara com essa lógica — com transparência na organização, critérios sérios para patrocínios, segurança efetiva e foco real na formação de atletas — a Copa do Craque tende a se consolidar não como vitrine de futuros craques, mas como símbolo do fracasso na gestão do esporte e da conivência com a barbárie.







