Daurival Júnior, conhecido como Juninho, pai do recém-nascido, “Arthur,” completa 35 anos em leito hospitalar enfrentando paraplegia, pneumonia e infecção; crime ocorreu durante a final do torneio.
Por Wesley Silas
GURUPI – O que deveria ser a celebração do esporte e da cidadania no dia 1º de fevereiro transformou-se em um cenário de violência que alterou permanentemente o destino de quatro famílias. Entre as vítimas do tiroteio ocorrido na final da Copa do Craque, o caso de Daurival Júnior, conhecido como Juninho, revela o lado mais cruel da insegurança: a luta pela sobrevivência e a busca por dignidade em meio ao silêncio das autoridades e organizadores.
Sonhos interrompidos e luta pela saúde
Nesta sexta-feira (20), Juninho completa 35 anos de idade. No entanto, em vez de comemorar o aniversário e os primeiros meses de vida do filho Arthur — que tinha apenas nove dias quando o pai foi atingido —, o jovem enfrenta as graves sequelas de um disparo que perfurou seu pulmão.
O quadro clínico é delicado. Além da paraplegia, Juninho luta contra uma pneumonia e uma infecção no sangue, complicações decorrentes do ferimento. Segundo familiares, o estado emocional do jovem é de profundo abalo diante da incerteza sobre sua mobilidade futura.
Omissão e abandono, relata familiares
Quase 60 dias após a tragédia, a família denuncia a falta de amparo por parte dos responsáveis pelo evento e do poder público. “Seguimos sozinhos, sustentados apenas pela fé. Além da dor física e emocional, enfrentamos o silêncio e a omissão”, relata a família em nota. O peso financeiro e psicológico de manter um tratamento de alta complexidade tem sido suportado exclusivamente por parentes e amigos.
A descaracterização do esporte
O episódio levanta um debate urgente sobre a segurança em eventos esportivos na região. Críticos e frequentadores apontam que a proposta original da Copa do Craque foi sufocada por um ambiente de ostentação e desordem, permitindo que a violência ocupasse o espaço que deveria ser do lazer e da inclusão social.
“Não se trata apenas de um caso isolado. São vidas e sonhos interrompidos por uma tragédia que poderia ter sido evitada. Exigimos responsabilidade e, acima de tudo, justiça”, pontua o grupo de apoio à vítima.
Próximos passos
A Polícia Civil segue com as investigações para identificar a autoria e a motivação dos disparos que atingiram as quatro pessoas naquela tarde. Enquanto o processo caminha, Juninho e sua família dependem da solidariedade da comunidade para custear as despesas médicas e as adaptações necessárias para sua nova realidade.








