Estudo aponta que 78% das famílias vivem com até dois salários-mínimos e que apenas 35% conseguem comprar a cesta básica regularmente
Por Redação
O Instituto Federal do Tocantins (IFTO), Campus Gurupi, divulgou os resultados da pesquisa “Análise Semestral de Preços e Acessibilidade da Cesta Básica nas Periferias de Gurupi”, realizada entre junho e novembro de 2025. O estudo revela um cenário de vulnerabilidade socioeconômica e insegurança alimentar entre famílias residentes em bairros periféricos do município.
O projeto é coordenado pelos professores Francisco Viana, Adelma Ferreira e Ana Terra, e tem como objetivo monitorar o impacto do custo da cesta básica sobre a qualidade de vida das famílias em situação de maior vulnerabilidade social. A pesquisa ouviu 51 chefes de família em 11 bairros e comunidades de Gurupi, entre eles Bela Vista, Malvinas, Campos Belo e Vila São José II. Os dados mostram que 53% das famílias são chefiadas por mulheres e que 78% sobrevivem com até dois salários-mínimos, enquanto o gasto médio mensal com alimentação chega a R$ 906,86, consumindo, em muitos casos, mais da metade da renda familiar.
Outro dado preocupante é que apenas 35% das famílias conseguem adquirir a cesta básica de forma regular. Além disso, 84% afirmam ter dificuldade ou muita dificuldade para arcar com esse custo; 35% conseguem realizar três refeições por dia, enquanto 39% alcançam apenas duas refeições diárias. A pesquisa também aponta que 86% dos entrevistados perceberam aumento no preço dos alimentos, sendo a carne o item mais citado como o mais difícil de comprar. Para enfrentar a alta dos preços, muitas famílias têm reduzido o consumo, substituído alimentos por opções mais baratas e, em alguns casos, deixado de adquirir itens essenciais.
De acordo com a professora Adelma Ferreira, integrante da coordenação da pesquisa, o estudo evidencia que o aumento dos preços dos alimentos afeta diretamente as condições de vida das famílias, influenciando hábitos alimentares, escolhas de consumo e estratégias de sobrevivência. “A pesquisa também mostra a importância das políticas de transferência de renda para complementar o orçamento familiar e garantir condições mínimas de subsistência. Além disso, revela que a insegurança alimentar está relacionada não apenas à renda insuficiente, mas também à baixa escolaridade e às desigualdades sociais”, destacou.
No mercado de trabalho, predomina a informalidade: 37% dos chefes de família atuam em atividades informais e apenas 20% possuem emprego formal. Além disso, 82% das famílias dependem de programas sociais, como Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada (BPC) e aposentadorias, para complementar a renda.
Segundo o coordenador do projeto, professor Francisco Viana, os resultados reforçam a necessidade de políticas públicas integradas para combater a insegurança alimentar. “Os dados mostram que a insegurança alimentar em Gurupi é consequência de um conjunto de fatores estruturais, como baixa renda, informalidade no trabalho, escolaridade limitada e aumento constante dos preços dos alimentos. Enfrentar esse desafio exige ações articuladas entre educação, geração de renda, assistência social e fortalecimento da agricultura familiar”, destacou.
Com base nos resultados, o estudo recomenda a ampliação de programas de transferência de renda, subsídios para alimentos essenciais, incentivo à qualificação profissional e políticas de desenvolvimento local voltadas à redução das desigualdades sociais.
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