Uso do veículo em campanha sem comunicar a seguradora é tratado como agravamento de risco e pode anular a cobertura em caso de roubo, furto ou colisão.
Por Wesley Silas
A Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) alertou motoristas que pretendem adesivar veículos com propaganda eleitoral ou usá-los em atividades de campanha nas eleições de 2026: a mudança no perfil de utilização do automóvel, quando não informada previamente à seguradora, pode resultar na recusa do pagamento de indenizações. O comunicado foi divulgado nesta semana e vale para todo o território nacional, incluindo o Tocantins.
Segundo a entidade, a plotagem do veículo e o deslocamento para eventos partidários são interpretados pelas empresas como aumento do risco avaliado no contrato. A circulação em carreatas, comícios e locais de grande concentração de pessoas eleva a probabilidade de acidentes e de atos de vandalismo, o que altera as condições originais consideradas na assinatura da apólice.
O que muda na cobertura
As seguradoras consideram que o transporte de material de campanha, o deslocamento de equipes de apoio e a prestação de serviços para candidatos modificam a rotina declarada no questionário de avaliação de risco. Se o motorista se envolver em um sinistro e ficar comprovado que o automóvel era usado para fins eleitorais não comunicados, a empresa pode se recusar a quitar o prejuízo.

A FenSeg acrescenta que os adesivos, envelopamentos e plotagens em si não são cobertos pelas apólices convencionais. Danos decorrentes de tumultos, agressões motivadas por disputas políticas e atos de vandalismo costumam estar listados entre as exclusões expressas dos contratos de seguro auto.
Como evitar a perda da proteção
Para não perder a indenização, a federação orienta que o motorista tome providências antes de adesivar o veículo:
- Informar formalmente a seguradora ou o corretor antes de colar adesivos ou prestar serviços em campanhas.
- Solicitar a emissão de um endosso de alteração de perfil para registrar a nova rotina do veículo na apólice.
- Consultar o contrato para verificar se prejuízos por vandalismo ou eventos públicos têm cobertura opcional.
- Checar junto ao Detran local se o envelopamento ou a adesivação ultrapassa 50% da área do veículo, o que exige atualização no documento do carro.
Orientação protege o setor segurador
O alerta da FenSeg chega em momento de alta movimentação partidária e expõe uma lacuna de informação que pode custar caro ao eleitor comum. A regra não é nova, mas o desconhecimento sobre o conceito de agravamento de risco tende a gerar conflitos justamente no período de maior uso político dos veículos. Do ponto de vista econômico, a orientação protege o setor segurador de sinistros atípicos, mas transfere ao motorista o ônus de antecipar uma mudança de rotina que, na prática, muitos não reconhecem como relevante. Para o debate eleitoral, o caso reforça a importância de o cidadão tratar a participação na campanha com o mesmo cuidado formal dedicado a qualquer alteração contratual — sob pena de transformar um gesto de apoio político em prejuízo financeiro direto.







