De candidato ao Governo a nomes para Assembleia, Câmara Federal e suplência do Senado, policiais militares e ex-comandantes ampliam presença no cenário eleitoral tocantinense.
da redação Portal Atitude
As eleições de 2026 consolidaram uma presença incomum de representantes da Polícia Militar do Tocantins no cenário político estadual. O movimento aparece tanto nas chapas majoritárias quanto nas disputas proporcionais e nas composições para o Senado. O resultado é uma eleição em que a segurança pública, a valorização dos servidores e a experiência de gestão dentro das forças de segurança passaram a ocupar espaço relevante nos discursos dos candidatos.
O fenômeno não ocorre apenas de maneira individual. Em maio, dez entidades representativas de militares do Tocantins anunciaram uma estratégia conjunta de apoio a nomes ligados à categoria: Coronel Márcio Barbosa para deputado federal e Subtenente João Victor e Subtenente Negreiros para deputado estadual. A iniciativa tinha como objetivo concentrar parte do capital eleitoral dos militares em candidaturas consideradas representativas da categoria.
Subtenente Luiz Carlos disputa o Governo
Na corrida pelo Palácio Araguaia, o principal destaque militar é o subtenente da reserva Luiz Carlos Ferreira da Silva, escolhido pelo Democrata para disputar o Governo do Tocantins. A candidatura representa a entrada direta de um policial militar na principal disputa eleitoral do Estado.

Luiz Carlos é militar da reserva da PMTO e disputa pela primeira vez o cargo de governador. O partido definiu Jair Medeiros como candidato a vice-governador. A candidatura foi formalizada nas convenções eleitorais e passou a integrar oficialmente o quadro de chapas que disputam o comando do Estado.
Coronel Silva Neto vira vice de Laurez
Outra candidatura militar de grande peso está na chapa de Laurez Moreira (PSD). O ex-comandante-geral da Polícia Militar coronel Júlio Manoel da Silva Neto foi escolhido para disputar a vice-governadoria.
Silva Neto ingressou na PMTO em 1998 e chegou ao comando-geral da corporação. Sua trajetória inclui passagens por diferentes regiões do Tocantins e atuação em áreas estratégicas da segurança pública. A escolha também tem forte componente político: o coronel construiu parte importante de sua carreira em Araguaína, região considerada estratégica para a disputa estadual.

A composição transforma a segurança pública em uma das marcas da chapa de Laurez. O próprio grupo apresentou a escolha como parte de uma proposta relacionada a segurança, combate à corrupção e valorização do servidor público.
Coronel Márcio Barbosa mira Brasília
Se no Executivo estadual os militares ganharam espaço, na disputa pela Câmara dos Deputados o nome de maior projeção é o coronel Márcio Barbosa, ex-comandante-geral da PMTO.
Barbosa chegou ao comando da Polícia Militar e deixou a função em abril de 2026. Na eleição deste ano, decidiu transformar a experiência acumulada na corporação em projeto político e disputa uma vaga de deputado federal pelo União Brasil. A candidatura foi oficializada durante a convenção da legenda.
O discurso do coronel procura ultrapassar a pauta exclusivamente corporativa. Além da segurança pública, Barbosa apresenta propostas relacionadas à valorização dos servidores, desenvolvimento dos municípios, tecnologia e melhoria da qualidade de vida dos tocantinenses.

Sua candidatura ganhou ainda uma característica própria: entidades militares chegaram a definir seu nome como representante da categoria na disputa federal, numa tentativa de concentrar votos ligados à segurança pública.
Militares de olho em vaga na Assembleia
Na Assembleia Legislativa, um dos nomes mais diretamente ligados à representação militar é o Subtenente João Victor, nome de urna de João Victor Moreira de Freitas.
Além de policial militar, João Victor é presidente da União dos Militares do Tocantins (UNIMIL) e aparece na disputa por uma cadeira de deputado estadual pelo MDB. Dados eleitorais disponíveis apontam sua ocupação declarada como policial militar e registram sua candidatura para 2026.
Outro nome ligado diretamente ao movimento associativo dos policiais militares é o Subtenente Elton Negreiros, presidente da Associação das Praças de Araguaína (APA).
Negreiros foi escolhido pelas entidades militares, ao lado de João Victor, como um dos nomes que deveriam representar a categoria na Assembleia Legislativa. O movimento buscou criar uma estratégia de unidade para que os votos dos militares não fossem pulverizados entre várias candidaturas.
Outro militar que ganhou espaço na disputa proporcional é o Subtenente Leandro Caitano dos Santos, conhecido como Subtenente Caitano.
Com cerca de duas décadas de atuação na Polícia Militar, Caitano construiu sua pré-candidatura a deputado estadual defendendo uma agenda que combina segurança pública e esporte. O militar busca ampliar sua atuação política para além das pautas corporativas, utilizando o esporte como instrumento de prevenção à violência e de formação da juventude.
Uma militar chega à suplência do Senado
O militarismo também aparece na disputa pelo Senado Federal, mas desta vez na composição da suplência.
O senador Eduardo Gomes (PL) anunciou a 1ª tenente da Polícia Militar Lusinete Bispo Araújo como sua segunda suplente na candidatura à reeleição. O primeiro suplente é o empresário e ex-senador Luiz Osvaldo Pastore.
Lusinete ingressou na PM após aprovação em concurso público e foi promovida ao posto de 1ª tenente em abril de 2026. Sua presença na chapa adiciona à disputa pelo Senado uma representante feminina da segurança pública e amplia a participação das mulheres militares na política tocantinense.
O que explica a força dos militares em 2026?
O crescimento dessas candidaturas não parece ser apenas uma coincidência. Existe uma movimentação organizada de entidades representativas da categoria, que passaram a discutir abertamente a necessidade de ampliar a presença de militares no Legislativo.
A estratégia é transformar a experiência adquirida dentro da Polícia Militar em representação política. A ideia defendida por lideranças do segmento é que policiais conhecem de perto problemas relacionados à segurança, infraestrutura, efetivo, equipamentos, valorização profissional e atendimento à população.








