Por Wesley Silas
Flávio Santana retorna ao banco dos réus em Gurupi para responder por um novo crime de sangue. Condenado em 2016 a 25 anos de prisão por um homicídio ocorrido em 2014, ele agora enfrenta acusações de homicídio qualificado contra a ex-sogra, Rosimeire Macêdo, e tentativa de feminicídio contra a ex-namorada, Paloma Macêdo. O ataque ocorreu em agosto de 2024, no setor Alvorada II, e chocou a comunidade pela brutalidade e pelo histórico do acusado.

O Ataque no Alvorada II
Conforme os registros da Polícia Militar, Santana invadiu a residência das vítimas portando uma faca e um facão. Durante a agressão, ele atingiu ambas as mulheres. Rosimeire Macêdo, de 46 anos, não resistiu aos ferimentos e faleceu no local. Paloma Macêdo sobreviveu ao ataque.
Após o crime, o acusado apresentou-se na 12ª Central de Atendimento da Polícia Civil, onde tentou sustentar uma narrativa falsa. Santana alegou ter sido vítima de um confronto com um suposto segundo suspeito que teria atacado as mulheres — versão prontamente descartada pelas investigações, que apontaram a autoria direta do réu.
Histórico de Violência: O Caso de 2014
Esta não é a primeira vez que Flávio Santana enfrenta o Tribunal do Júri. Em setembro de 2016, ele recebeu uma sentença de 25 anos de reclusão pelo assassinato do representante comercial Reginaldo Costa Xavier, ocorrido em dezembro de 2014.
Na época, o crime foi motivado por uma dívida de R$ 20 mil referente à negociação de um veículo Golf. Reginaldo era considerado amigo de Santana e costumava hospedar-se em sua residência quando visitava Gurupi. O condenado também respondeu por furto e tentativa de ocultação de cadáver naquele processo.
O caso de Flávio Santana expõe uma falha sistêmica na ressocialização e no monitoramento de detentos condenados por crimes violentos. A transição de um homicídio por motivação financeira para um ataque brutal de gênero demonstra que o rigor da pena anterior não foi suficiente para impedir novas tragédias.
A sociedade de Gurupi exige que o desfecho deste novo julgamento não apenas aplique a lei, mas sirva como um marco de tolerância zero contra o feminicídio. A proteção à mulher não pode ser apenas estatística; requer uma justiça que antecipe o risco e impeça que agressores reincidentes voltem a fazer vítimas.
Resumo
- Réu reincidente: Flávio Santana, já condenado a 25 anos em 2016, volta a júri popular.
- Novas acusações: Homicídio da ex-sogra e tentativa de feminicídio da ex-namorada (agosto/2024).
- Contexto local: Gurupi registra alta nos feminicídios (8 casos em 2024) e 487 medidas protetivas em 2025.
- Histórico: O crime anterior (2014) envolveu a morte de um amigo por dívida de veículo.








