Perfurações preliminares no município de Palmeirópolis indicam presença de minérios magnéticos de alto valor comercial, como disprósio e térbio.
Por Wesley Silas
A mineradora australiana Alvo Minerals identificou indícios de mineralização de elementos de terras raras magnéticas no Projeto Bluebush, localizado em Palmeirópolis, região sul do Tocantins. Os dados são provenientes de sondagens realizadas na porção norte do Granito Serra Dourada, estrutura geológica que abriga depósitos de argila iônica similares aos encontrados em Serra Verde (GO). A pesquisa busca delimitar o potencial econômico e a viabilidade de lavra na área.
Resultados das perfurações e teores minerais
As análises laboratoriais correspondem a 77 furos de sondagem executados nos alvos Boa Vista e São Bento, com espaçamento estimado de 200 metros ao longo de vias existentes. As amostras registraram concentrações de Óxidos Totais de Terras Raras (TREO) superiores ao limite de corte de 750 partes por milhão (ppm).
Entre os materiais identificados estão o disprósio (Dy) e o térbio (Tb), minérios de maior cotação no mercado internacional, além de neodímio (Nd) e praseodímio (Pr). De acordo com a empresa, novos lotes de amostras de outros 210 furos seguem em processamento analítico para mapeamento das camadas do saprolito.
Próximas etapas do cronograma de pesquisa
A companhia planeja intensificar as etapas de amostragem de solo, geofísica rasa e testes de recuperação metallúrgica das argilas iônicas. Para otimizar o mapeamento da condutividade de superfície, a empresa importou um equipamento de levantamento eletromagnético portátil.
Paralelamente, estão previstas perfurações diamantadas para verificar a continuidade da mineralização em profundidade no prospecto Boa Vista, onde os teores mais elevados foram detectados na base dos furos iniciais. As atividades em Palmeirópolis priorizam o cumprimento do prazo de análise técnica e contratual da área.
Impacto econômico para a região sul do estado
A eventual confirmação de depósitos viáveis de terras raras em Palmeirópolis insere o Tocantins na cadeia global de suprimentos para indústrias de alta tecnologia, componentes eletrônicos e transição energética. Caso as etapas de viabilidade técnica e licenciamento ambiental sejam concluídas com êxito, a transição da fase de exploração para a de extração industrial exigirá investimentos em infraestrutura local e poderá gerar arrecadação de royalties minerários (CFEM), além de dinamizar a economia do sul tocantinense.








