EMS lança no Brasil pioneiras canetas injetáveis para tratamento de obesidade e diabetes*
Por Redação
A farmacêutica brasileira EMS inicia suas vendas ontem (04/08) das primeiras canetas injetáveis desenvolvidas no país para o tratamento da obesidade e do diabetes. Desde junho, a compra desses medicamentos exige prescrição médica que deve ser retida na farmácia, reforçando a importância do acompanhamento profissional para ajustes de dosagem e monitoramento de possíveis efeitos adversos.
Lançamento e disponibilidade
Hoje, a EMS disponibiliza medicamentos à base de liraglutida, princípio ativo presente em produtos conhecidos como Victoza e Saxenda, fabricados pela Novo Nordisk. A empresa obteve autorização da Anvisa em dezembro passado para produzir dois injetáveis com o análogo do hormônio GLP-1: Olire e Lirux.
Ao todo, serão comercializadas 150 mil unidades entre Olire e Lirux, disponíveis inicialmente nas redes Raia, Drogasil, Drogaria São Paulo e Pacheco. Os preços sugeridos variam de R$ 307,26 (embalagem com uma caneta), R$ 507,07 (duas unidades de Lirux) e R$ 760,61 (três unidades de Olire).
Os produtos estarão acessíveis tanto nos sites quanto em pontos de venda físicos nas regiões Sul e Sudeste, com uma expansão gradual para outras localidades prevista nas próximas semanas. A expectativa da EMS é que até o final do ano sejam comercializadas aproximadamente 250 mil unidades, totalizando cerca de 500 mil canetas até agosto de 2026.
Tecnologia e vantagens
As canetas atuam na liberação do hormônio GLP-1, que é naturalmente produzido no intestino e liberado na presença de glicose, sinalizando saciedade ao cérebro, o que ajuda na redução do apetite. Além disso, esse hormônio aumenta a produção de insulina e promove o controle glicêmico. Segundo a EMS, a caneta Olire possui potencial adicional de melhorar marcadores de risco cardiovascular.
De acordo com a empresa, as canetas brasileiras utilizam uma técnica de fabricação mais rápida e econômica. Enquanto produtos importados como o Victoza são produzidos por bactérias geneticamente modificadas, as canetas nacionais, Olire e Lirux, usam peptídeos sintéticos, o que, segundo a EMS, proporciona maior pureza ao medicamento.
“Produzimos esses medicamentos por meio de síntese química de peptídeos, seguindo protocolos reconhecidos pela FDA, o que garante alta pureza e eficiência. Essa tecnologia também tem impulsionado o desenvolvimento de novas gerações de hormônios peptídicos,” explica Iran Gonçalves Jr., diretor médico da EMS.
Investimento e mercado
A EMS estima que esses lançamentos representarão cerca de 25% do faturamento total da companhia nos primeiros dois anos de comercialização. Para isso, investiu mais de R$ 1 bilhão na instalação de uma fábrica de produção de peptídeos em Hortolândia, prevista para entrar em operação em 2024.
Vantagens terapêuticas e perspectivas
A vantagem dessas substâncias está na frequência de aplicação. Por exemplo, a semaglutida, que ainda não está disponível nacionalmente, pode ser administrada uma vez por semana, ao contrário de outras opções que exigem doses diárias.
A chegada da versão nacional, prevista para o segundo semestre de 2026, depende da retirada da patente brasileira da semaglutida, atualmente detida pela Novo Nordisk. Após o fim da proteção de patente, a EMS poderá lançar sua própria caneta, o que poderá facilitar a inclusão do medicamento no Sistema Único de Saúde (SUS). Em particular, o Rio de Janeiro já demonstrou interesse e iniciou discussões sobre o uso das canetas na rede pública.
No mercado, a Hypera também anunciou planos de lançar sua versão de semaglutida em 2026. A EMS, em 2023, tentou uma parceria de aquisição com a Hypera, mas a proposta foi rejeitada pelo conselho da concorrente. Ainda assim, a participação da EMS na Hypera aumentou para 6% até o final de 2024, fortalecendo sua estratégia de expansão no segmento.









