Termo de cooperação entre municípios tocantinense e mato-grossense prevê ligação terrestre entre aldeias indígenas e abre caminho para turismo, cooperação ambiental e desenvolvimento regional; projeto conta com apoio do Ministério Público Federal.
Um sonho histórico de integração entre os povos Javaé e Carajá ganhou concretude esta semana. As prefeituras de Formoso do Araguaia (TO) e São Félix do Araguaia (MT) assinaram, na quarta-feira (24), um termo de cooperação que prevê a construção de uma estrada ligando as duas aldeias indígenas, separadas por 92 quilômetros de distância.
O projeto, que une a aldeia Txuiri (povo Javaé, nas margens do rio Javaés) à aldeia Santa Isabel do Morro (povo Carajá, nas margens do rio Araguaia), remonta ao período do presidente Juscelino Kubitschek em que JK defendia ligar os dois povos, e representa uma demanda histórica das próprias comunidades indígenas.
“Todo mundo sabe deste sonho histórico de integração entre o povo Javaé e o povo Carajá“, afirmou Ronison Parente, vice-prefeito de Formoso do Araguaia, durante apresentação do acordo. Segundo ele, a iniciativa é coordenada pelas prefeituras sob liderança dos prefeitos Israel Cauê (Formoso do Araguaia) e Dr. Acáo (São Félix do Araguaia).
Além da estrada
Embora a estrada seja o eixo central, o termo de cooperação é mais abrangente. O acordo inclui ações nas áreas de turismo, cooperação ambiental e desenvolvimento integrado dos dois municípios, tendo como base a integração das aldeias indígenas.
“A princípio, o termo trata da estrada ligando as duas comunidades, mas ele é mais amplo. Ele abrange área de turismo, cooperação ambiental, é uma série de ações que visa integrar os dois municípios, tendo como base a integração das duas aldeias“, explicou Ronison Parente.
Apoio institucional e demanda indígena
O projeto conta com assistência do Ministério Público Federal (MPF), representado pelo procurador Álvaro Manzano, e de todas as instituições que atuam junto às comunidades indígenas. Um ponto destacado é que a iniciativa responde a uma demanda das próprias comunidades indígenas, não uma imposição externa.
“As duas prefeituras estão atendendo um pedido, uma demanda feita pelas próprias comunidades indígenas“, reforçou o vice-prefeito.
Próximos passos
Na próxima segunda-feira (2), está marcada uma reunião com o procurador Álvaro Manzano e representantes das comunidades indígenas para apresentação formal do termo de cooperação e de um projeto de engenharia que detalha a ligação entre as duas aldeias.
A integração entre os povos Javaé e Carajá representa mais que uma obra de infraestrutura: é um reconhecimento de direitos históricos e uma oportunidade de desenvolvimento que respeita a autonomia indígena. A estrada pode abrir caminhos para turismo sustentável, fortalecimento cultural e cooperação econômica entre as comunidades. O desafio agora é garantir que a execução do projeto mantenha os mesmos princípios de participação indígena e sustentabilidade ambiental que marcam sua concepção. A Ilha do Bananal, patrimônio natural e cultural, exige cautela: desenvolvimento sim, mas com proteção.








