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Destaques

Veto em discurso de colação de grau de turma da UFRN

Atitude TocantinsPor Atitude Tocantins26 de fevereiro de 2017 - 19:225 minutos de leitura
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“Após os formandos e padrinhos organizarem-se em fila para o início da cerimônia de colação de grau, quando uma agitação chama atenção de alguns alunos e pais presentes. A oradora da turma, Ingrid de Carvalho Lavor, foi convocada pelo cerimonial para uma conversa.  Após alguns minutos a jovem retorna a fila revoltada. Devido à presença da magnífica reitora na cerimônia a jovem deveria cortar todo o último parágrafo de seu discurso….ou seja, estava censurado”. João Nunes da Silva


João Nunes da Silva

Doutor em comunicação e cultura contemporâneas, Mestre em Sociologia e professor da UFT, Campus de Arraias-Tocantins. Trabalha com projetos em cinema e educação.


“Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo que fizemos ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais.”

Belchior

 No dia 22 de março tive a oportunidade de participar da colação de grau da minha filha, da turma de Psicologia da  Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), 2016.2; turma essa que recebeu o nome Emilly Mel Fernandes de Souza em homenagem a uma mulher trans que cresceu junto com todos o estudantes durante o curso.

O nome da turma é uma homenagem sincera de todos os recém-formado sem Psicologia da UFRN, os quais aprenderam junto com a Emilly Mel a viver e a respeitaras diferenças. A noite estava tranquila e todos estavam muitos felizes em compartilhar a formatura de uma turma aguerrida.

Os corredores do Hotel Praiamar, em Ponta Negra, Natal – RN, na noite da formatura exalava um perfume suave, explodiam risos de felicidades e nos rostos dos formandos e familiares brilhavam uma felicidade imensa.

Após os formandos e padrinhos organizarem-se em fila para o início da cerimônia de colação de grau, quando uma agitação chama atenção de alguns alunos e pais presentes. A oradora da turma, Ingrid de Carvalho Lavor, foi convocada pelo cerimonial para uma conversa. Após alguns minutos a jovem retorna a fila revoltada. Devido à presença da magnífica reitora na cerimônia a jovem deveria cortar todo o último parágrafo de seu discurso….ou seja, estava censurado.

FB_IMG_ turma pscologia ufrn
“O choro veio como a expressão desesperada de quem se percebia calada. Amordaçada. E foi amarga a sensação!”, disse a oradora Ingrid Lavor.

A censura estabelecida deixou todos ali presentes, formandos, pais e visitantes, indignados. Logo veio a tona a realidade de estado de exceção que estamos vivendo no país.

Com a censura a jovem oradora da turma não se conteve e caiu em lágrimas, deixando evidente sua indignação e seu protesto que também era de todos ali presentes.

A parte censurada criticava as medidas impopulares do governo Temer, que chegou ao poder por meio de manobras judiciais e com o apoio da grande mídia para derrubar uma presidente eleita legitimamente. Sim, a principal frase era um Fora Temer que seria proferida pela oradora com muita ênfase ao final do discurso.

A reitora da UFRN, naquela noite, que se fez presente apenas por causa da homenageada da turma, Emilly Mel, a primeira trans a ser formada naquela Universidade, ameaçou suspender a formatura da turma caso a oradora insistisse em falar a parte censurada; a ameaça foi veementemente repetida pela chefe de cerimonia daquele dia.

Para a oradora Ingrid Lavor, que chorou indignada, assim como ficou indignada toda a turma: “O choro veio como a expressão desesperada de quem se percebia calada. Amordaçada. E foi amarga a sensação! Como foi amarga! Mais uma vez a história se repetia…e a periferia estava sendo calada por pessoas de poder”.

Ingrid naquela formatura era a voz dos que têm sido calados por tanto tempo; uma jovem da periferia, como poucos ali estavam, se mostrava agora numa ameaça ao poder estabelecido. Naquele momento a repressão mostrou suas garras, o estado de exceção se fez valer com medo que a senzala mostrasse sua voz e ameaçasse o poder da Casa-Grande.

Como foi dito e escrito em algumas camisas por aí a fora, “ a Casa Grande vai a loucura quando a senzala aprende a ler”.

A censura, por mínima que possa parecer, representa sim o medo dos poderosos de que a maioria assuma as rédeas da sua história. Significa que ainda vivemos tempos duros, difíceis, pois, “os donos do poder” se mantêm ainda pela força e pela repressão e usam de todos os mecanismos e manobras institucionais para mostrar do que são capazes caso a classe dominada tente mostrar a sua cara.

Mas na noite de 22 de março, da formatura da turma 2016.2 de Psicologia da UFRN, a voz não se deixou calar e o discurso que teve parte censurada foi ouvido por todos os que ali estiveram presentes.

A censura, por menor que possa parecer, representa sempre o medo dos que usurpam e que se põem no poder de forma ilegítima e injusta.

Quando há alguma censura, é porque o seu conteúdo denuncia uma realidade que não pode ser calada.

Viva a turma Emilly Mel, viva a todos que fazem parte dessa grande história.

censura colação de grau João Nunes da Silva Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
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