Outubro registrou intensas movimentações nos bastidores políticos do Tocantins: os mais destacados são o julgamento do agravo na 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) para o governador afastado reassumir ou não o cargo; articulações por pedidos de impeachment contra o governador afastado Wanderlei Barbosa e tensões entre aliados do prefeito de Palmas, Eduardo Sigueira Campos e ex-gestores em Palmas, em especial envolvendo Cinthia Ribeiro e Carlos Amastha.
Por Wesley Silas
Enquanto aguarda o julgamento do agravo na 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) contra decisão do ministro Luís Roberto Barroso — que negou habeas corpus para que reassumisse o governo — Wanderlei Barbosa convive com articulações internas por sua saída. Deputados e integrantes do governo, segundo apurações, vêm costurando assinaturas para acelerar processos de impedimento. Fontes ouvidas por jornalistas da Capital apontam que há uma lista de solicitações ao presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Tocantins (Aleto), Amélio Cayres (Republicanos), para a recepção de um dos três pedidos de impeachment contra o governador. A mobilização teria sido liderada pelo atual governador em exercício, Laurez Moreira (PSD), e, conforme relatos, os articuladores teriam conseguido 11 assinaturas, ainda aquém da maioria simples de 13 exigida por alguns deputados. Há também relatos de que o presidente da Casa estaria exigindo quórum de dois terços (16 assinaturas) para qualquer decisão sobre o tema.

Em paralelo, em Palmas, a ex-prefeita Cinthia Ribeiro (PSDB) intensificou críticas públicas a ex-aliados e a gestores anteriores, gerando reações da base governista municipal. O vereador e ex-prefeito Carlos Amastha (PSB) qualificou, em plenário, como “avalanche de problemas” a situação deixada pela gestão de Cinthia Ribeiro, apontando para fragilidades em áreas como educação e finanças municipais e caracterizando o período como um dos mais problemáticos da prefeitura.
Amastha também assumiu a relatoria da Comissão de Finanças, Tributação, Fiscalização e Controle da Câmara de Palmas, colegiado responsável pela análise da Prestação de Contas Anual do Executivo Municipal referente ao exercício de 2022 — exercício sob responsabilidade da ex-prefeita. Em nota ao site T1 Notícias, Amastha disse que conduzirá a relatoria com “compromisso de fazer uma análise puramente técnica”, assegurando que o trabalho terá foco na transparência, na correta aplicação dos recursos públicos e na observância da legalidade, sem “viés político ou pessoal”.
Fontes parlamentares ouvidas por jornalistas afirmam que a disputa pelo controle político e pelas narrativas públicas tem aumentado pressões e promessas nos bastidores, com movimentações táticas para angariar apoio entre deputados e vereadores. Observadores políticos destacam que as manobras internas refletem uma disputa mais ampla entre grupos que buscam consolidar influência nas instâncias executiva e legislativa do estado e da capital.
Contexto e impacto
As articulações pelo impeachment e a disputa em torno das prestações de contas municipais acontecem em um momento de fragilidade institucional e político-partidária, com reflexos potenciais sobre a governabilidade no Tocantins e na gestão de Palmas. Decisões sobre a admissibilidade de pedidos de impeachment na Assembleia e a análise técnica das contas municipais deverão definir o desfecho político das movimentações nas próximas semanas.







