Mudanças de sigla só serão permitidas para deputados estaduais e federais; estratégia eleitoral passa pelo peso do Fundo Eleitoral e pela força das federações partidárias. Para avaliar as movimentações em Gurupi, o Portal Atitude ouvir os deputado Eduardo Fortes (PSD), Gutierres Torquato (PDT) e o suplente de deputado, Gleydson Nato (PL)
Por Wesley Silas
A janela partidária ficará aberta até 3 de abril e permitirá a troca de partido somente para deputados estaduais e federais, já que não haverá eleição para vereadores em 2026. Por isso, vereadores que pretendem disputar vaga na Assembleia ou na Câmara Federal não poderão mudar de sigla neste período.

Peso do Fundo Eleitoral nas decisões
O volume de recursos disponíveis no Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) é hoje um dos principais fatores na definição de rumos partidários. Federações e partidos com maior fatia do fundo tendem a atrair pré-candidatos por oferecerem mais condições de competição, estrutura e visibilidade.
A federação União Progressista (PP + União Brasil) concentra R$ 953,6 milhões, quase 20% do total previsto para este ano, garantindo grande capacidade de investimento e de propaganda. O PL, comandado no Tocantins pelo senador Eduardo Gomes, aparece em seguida, com R$ 886,7 milhões.
Na sequência estão Republicanos (R$ 333,8 milhões), presidido pelo governador Wanderlei Barbosa, e o PSD, liderado no Estado pelo vice-governador Laurez Moreira.
Vicentinho Júnior e o PSDB
Nesse ambiente, o deputado federal Vicentinho Júnior (PP) avalia deixar a federação que restringe sua intenção de disputar o governo. Ele articula aproximação com o PSDB, sigla em décimo lugar no ranking nacional do fundo partidário, que pode oferecer maior autonomia para conduzir seu projeto eleitoral.
Movimentações no sul do Estado
Em Gurupi, onde o Portal Atitude ouviu lideranças locais, o cenário também se ajusta à dinâmica da janela partidária:
- Eduardo Fortes deve deixar o PSD e se filiar ao Republicanos, após convite do governador Wanderlei Barbosa.
- Gutierres Torquato (PDT) admite possível ida para o PSD, sob comando de Laurez Moreira.
- Gleydson Nato (PL) analisa convites e aguarda reunião com o presidente estadual da sigla, senador Eduardo Gomes, antes de definir seu próximo passo.
- Os vereadores Colemar da Saborelle (Podemos) e Ivanilson Marinho (PL) permanecem em suas siglas por não terem direito à mudança neste período.
Contexto eleitoral do Tocantins
O Estado ocupa a 23ª posição entre os menores colégios eleitorais do País. Em contrapartida, unidades como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia concentram 47,98% dos eleitores, o que influencia diretamente a distribuição e o impacto do Fundo Eleitoral.
A janela partidária de março será determinante para a reconfiguração das alianças no Tocantins. Com o peso crescente do Fundo Eleitoral e a força das federações, partidos com maior estrutura tornam-se decisivos para quem pretende disputar cargos majoritários e proporcionais em 2026. As próximas semanas devem consolidar o mapa político do Estado e definir quem chega mais competitivo à corrida eleitoral.







