Por Wesley Silas
O Pragmatismo como Regra: O cenário político de Gurupi e do Tocantins atravessa um momento de realinhamento onde as ideologias cedem espaço ao pragmatismo eleitoral. Em um movimento que surpreendeu os bastidores, o vereador Pedro Morais (PDT), aliado de confiança do vice-governador Laurez Moreira (PSD), anunciou apoio à pré-candidatura de Lucas Campelo (Republicanos) para deputado federal. Campelo integra a base do governador Wanderlei Barbosa e mantém estreita ligação com o grupo de Araguaína.
O anúncio, realizado via redes sociais, evidencia a chamada “união dos contrários”. Morais, que se consolidou como um dos principais opositores à gestão da prefeita Josi Nunes (União Brasil) e à sua filha, a pré-candidata Luana Nunes, agora caminha com um nome do Republicanos — legenda comandada pelo próprio governador Wanderlei.
O vereador Pedro Morais destacou em sua publicação que a escolha por Campelo baseia-se em: “A política precisa de renovação de verdade — e ela começa com coragem, propósito e gente que representa o novo”, disse no Instagram.
Dobradinhas e geopolítica regional
A movimentação de Lucas Campelo não se limita a Gurupi. Após migrar do União Brasil para o Republicanos, o vereador de Araguaína consolidou uma “dobradinha” no norte do estado com Kátia Chaves, ex-secretária da Governadoria e esposa do deputado estadual Eduardo Fortes (Republicanos).
Essa articulação cria um desenho curioso: enquanto Fortes faz dobradinha em Gurupi com Luana Nunes (União Brasil) — sua esposa, Kátia Chaves, une forças com Campelo, ambos amigos pessoal do governador Wanderlei Barbosa e da primeira-dama Karynne Sotero; por sua vez Campelo recebe o apoio do maior opositor local de Josi Nunes.
As alianças para 2026 no Tocantins revelam que a fidelidade partidária é, muitas vezes, secundária à estratégia de sobrevivência regional. O apoio de Pedro Morais a um candidato de Araguaína, ignorando as fronteiras de seu grupo original (PSD/Laurez), sugere uma tentativa de buscar “oxigênio” político fora do embate direto entre Laurez e Josi.
Para o eleitor, o cenário é de complexidade: as “amizades estranhas” citadas no jargão político mostram que, no Tocantins, o tabuleiro é montado peça por peça, onde o apoio de hoje ignora as ofensas de ontem em nome de um coeficiente eleitoral robusto amanhã.









