Por Wesley Silas
O Grupo Bom de Gosto, empresa de beneficiamento de arroz e logística com sede em Gurupi (TO), protocolou pedido de recuperação judicial para renegociar dívidas que, segundo o advogado Sergio Schmidt, somam mais de R$ 221 milhões. A iniciativa ocorre em um contexto de pressão financeira crescente sobre o setor agropecuário brasileiro.
Dados de Serasa Experian e de escritórios especializados em direito empresarial indicam que, no primeiro semestre de 2025, produtores rurais apresentaram 700 pedidos de recuperação judicial, ante 320 no mesmo período de 2024 — um aumento de 45% que reflete a ampliação do endividamento no campo.
Fontes do setor apontam múltiplos fatores para a deterioração da saúde financeira das empresas agrícolas e de logística: queda dos preços das commodities, valorização do dólar que encareceu insumos importados, eventos climáticos que comprometeram safra e aumento das taxas de juros em linhas de crédito rural, que chegaram a cerca de 25% ao ano. A cotação da soja, citada como exemplo, passou de aproximadamente R$ 200 por saca em 2022 para perto de R$ 92 em 2025, enquanto fertilizantes e defensivos se tornaram mais onerosos.
No caso do Grupo Bom de Gosto, fontes jurídicas e do próprio setor relatam que quebras de safra e a volatilidade do preço do arroz reduziram receitas, tornando insustentável o perfil de endividamento no modelo de operação atual. A recuperação judicial é apresentada pela empresa como medida para viabilizar a reorganização das obrigações e preservar empregos e contratos.
O aumento expressivo dos pedidos de recuperação judicial entre produtores e empresas do agronegócio expõe fragilidades estruturais do setor, que vão além de oscilações de preço temporárias. Dependência de insumos importados, concentração de risco climático e carga de endividamento em condições de crédito oneroso revelam a necessidade de estratégias de mitigação — como diversificação de receita, cadeias de suprimento mais resilientes e políticas públicas voltadas à redução do custo do crédito rural. A recuperação judicial do Grupo Bom de Gosto ilustra tanto o impacto imediato das variáveis macroeconômicas quanto a urgência de reformas e suporte técnico-financeiro para evitar um contágio mais amplo na economia regional.
Fonte: Dr Sérgio Schmidt – Advocacia em Direito Empresarial e dados públicos de Serasa Experian e comunicados do setor.








