Com produção em alta e ativos mais valiosos, organização sucessória ganha espaço e será tema de palestra na Agrotins
Por Redação
Entre safras recordes, expansão de áreas produtivas e aumento das exportações, o Tocantins consolida um novo patamar no agronegócio brasileiro. Com a safra 2024/25 que bateu recorde e atingiu 8,9 milhões de toneladas de grãos, segundo a Conab, e participação estratégica no MATOPIBA, o estado vive um ciclo de crescimento que amplia oportunidades, mas também expõe um desafio: a ausência de planejamento patrimonial diante de ativos cada vez mais valiosos e complexos.
Propriedades rurais passaram a operar como estruturas empresariais, mas nem sempre com a mesma evolução na organização jurídica. A falta de planejamento sucessório ainda é recorrente e pode gerar insegurança, especialmente quando bens pessoais e empresariais permanecem misturados. Nesse cenário, decisões acabam sendo adiadas ou concentradas em momentos críticos, como o inventário, o que tende a aumentar custos e despesas, gerar conflitos entre herdeiros e até comprometer a continuidade das atividades.
Em um estado onde 72% dos municípios dependem diretamente do campo, segundo o IBGE, os impactos ultrapassam o ambiente familiar. A desorganização patrimonial pode afetar cadeias produtivas, levar à fragmentação de propriedades e dificultar ou inviabilizar a gestão dos negócios rurais, ampliando riscos em um setor cada vez mais relevante para a economia local.
Nesse contexto, o sistema de holding familiar e rural tem avançado como alternativa de organização no campo. Para Alex Coimbra, especialista em planejamento patrimonial do Instituto Brasileiro de Planejamento Patrimonial e Sucessório, o tema acompanha a própria transformação do agro. “A holding familiar e rural podem funcionar como uma empresa que passa a concentrar os bens da família, como terras, participações e investimentos. Isso permite separar o patrimônio pessoal do empresarial e estabelecer regras claras de gestão e sucessão”, explica.
Ao centralizar os ativos, o produtor ganha mais previsibilidade e clareza na gestão, além de conseguir estruturar a sucessão ainda em vida. Segundo o especialista, o principal risco está na falta de antecipação. “Quando o planejamento não é feito, a sucessão acontece de forma automática e, muitas vezes, desorganizada. Isso pode gerar conflitos entre herdeiros, custos elevados e até comprometer a continuidade do negócio rural. Estruturar isso antes é o que garante mais segurança para a família e para a atividade”, orienta.
Planejamento sucessório será tema de palestras na Agrotins e no 1° Ciclo de Estudos Patromoniais
O tema estará em debate no dia 11 de maio, às 19h30, no auditório da Fecomércio, em Palmas, durante o “1º Ciclo de Estudos Patrimoniais”, com a palestra “Holding: mitos e verdades — proteja e organize seu patrimônio com inteligência”.
O assunto também integra a programação da Agrotins, maior feira do agronegócio da região Norte, que ocorre de 12 a 16 de maio. Na programação, o especialista do Instituto Brasileiro de Planejamento Patrimonial e Sucessório ® conduzirá uma palestra no dia 15, às 17h, com foco em estratégias práticas de organização patrimonial e sucessória.
A discussão ganha espaço em um momento em que o agro regional exige não apenas produtividade, mas gestão estruturada para garantir longevidade e continuidade entre gerações.









