A antecipação das eleições de 2026 ficou evidente nas comemorações do aniversário de Gurupi e na inauguração da TO-365, eventos em que se desenharam alinhamentos e ausências que já projetam a disputa pelo governo e pelo Senado. Gurupi, terceiro maior colégio eleitoral do Tocantins, tornou-se palco de articulações políticas entre pré-candidatos e lideranças regionais.
Por Wesley Silas
No aniversário da cidade, a prefeita Josi Nunes (UB) conduziu um “city tour” por 44 obras municipais e recebeu a visita do senador Eduardo Gomes (PL) e da senadora e pré-candidata ao governo Dorinha Seabra (UB). Chamou atenção, porém, a ausência do governador em exercício Laurez Moreira (PSD) e do senador Irajá Abreu (PSDB), apesar das emendas que este último destinou ao município.

No evento de inauguração da TO-365, que liga Gurupi ao povoado Trevo da Praia, a cerimônia e as comemorações ocorreram em dois locais distintos. No povoado houve descerramento de placa e festa promovida pelo deputado Gutierres Torquato. Em área próxima, foi montada grande estrutura para celebração política, com participação de apoiadores da pré-candidata ao governo, senadora Dorinha, e do deputado Carlos Gaguim – pré-candidato ao Senado. Em outra mesa, o governador Laurez participou acompanhado por nove prefeitos e pelo senador Irajá, além do pré-candidato ao Senado Vicentinho Júnior (PP).

O ex-governador Mauro Carlesse, também interessado em disputar posições de poder, foi convidado a subir ao palanque do governador, mas optou por contatos diretos com eleitores no entorno, evitando o palco onde estavam adversários políticos, como Irajá Abreu e Vicentinho Júnior.
Prefeitos que integraram a comitiva do governador Laurez: Dida Moreira (Dueré), Divino Morais (Sucupira), Tetin (Cariri), Wlisses Barros (Palmeirópolis), José Fontoura (Figueirópolis), David Bento (Filadélfia), Neto Aires (Ipueiras) e Cezinha (Peixe).
Agendas paralelas:
As cenas político‑eleitorais em Gurupi mostram mais do que mero protocolo ou preferência por agendas paralelas: refletem uma reconfiguração de forças e sinais de cálculo estratégico para 2026. Ausências seletivas, palanques setorizados e a mobilização de prefeitos indicam que lideranças buscam consolidar bases locais e sinais públicos de apoio, ao mesmo tempo em que evitam confrontos diretos que possam expor fragilidades. Esse tipo de comportamento pode reduzir o debate programático em favor de articulações personalistas e de curto prazo, centralizando a disputa em carismas e apoios formais em vez de propostas para os desafios regionais.
Instrumentalização de eventos
Para o eleitor de Gurupi, terceiro maior colégio eleitoral do estado, o risco é assistir à instrumentalização de eventos cívicos para costurar alianças, sem que isso se traduza em compromisso claro com prioridades como saúde, infraestrutura e geração de emprego. A fragmentação entre espaços de celebração reforça a necessidade de fiscalização da transparência nas obras inauguradas e das emendas reivindicadas, além de cobranças por propostas factíveis para o desenvolvimento local.
Em resumo, a antecipação das disputas em Gurupi revela um tabuleiro político em reorganização, no qual pragmatismo e simbolismo pesam tanto quanto propostas. Cabe à sociedade e à imprensa acompanhar com rigor para que as movimentações eleitorais não se sobreponham ao interesse público.







