Alianças fragmentadas na Câmara de Gurupi ameaçam o fortalecimento das regiões Sul e Sudeste no Congresso Nacional
Por Wesley Silas
GURUPI – O papel de um vereador transcende a fiscalização municipal; ele é o elo fundamental para consolidar a força política de uma região. Em Gurupi, o discurso de “união regional” — amplamente defendido na tribuna da Câmara — enfrenta agora o teste da realidade. Com a proximidade das eleições, as coalizões estratégicas dão lugar a interesses isolados, revelando um cenário de fragmentação que pode comprometer a representatividade das regiões Sul e Sudeste na Câmara Federal.
O mapa dos apoios na Câmara
Dos 17 parlamentares de Gurupi, a maioria já definiu seus rumos. A pré-candidata Luana Nunes (PL) concentra o maior volume de apoio na Casa, contando com os vereadores:
- Rodrigo Ferreira (PP)
- Matheus Monteiro (PRD)
- Jair do Povo (UB)
- Walter Coelho (Republicanos)
- Célia Lima (PSD)
Um dado intrigante é a falta de apoio aos “pratas da casa”. Mesmo com dois vereadores no exercício do mandato pleiteando uma vaga federal — Pedro Morais (PDT) e Débora Ribeiro (Republicanos) —, nenhum de seus pares manifestou apoio formal às suas pré-candidaturas. Pedro Morais, inclusive, busca anuência partidária para se desfiliar do PDT e ingressar no PSD, sob a liderança do vice-governador Laurez Moreira.
Por outro lado, candidatos de outras regiões ganham terreno. A deputada estadual Janad Valcari (PP) conta com o apoio de Colemar da Saborelle (Podemos) e Leda Perini (PL).

Já Iratã Abreu (PSD), embora tenha raízes em Gurupi (por ser a cidade em que ele o sue família viveram a infância e adolescência), é sustentado pela base de Laurez Moreira, incluindo André Caixeta (PSB), Romildo Santos (PDT), Marilis Fernandes (PDT) e Mário César Lustosa (UB).
O vereador Ronaldo Lira (PRD) sinaliza apoio a Alfredo Júnior, nome articulado localmente pelo ex-vice-prefeito e atual suplente de deputado estadual, Glaydson Nato (PL).
Protagonismo estadual
No âmbito da Assembleia Legislativa, os deputados estaduais Eduardo Fortes (PSD) e Gutierres Torquato (PDT) tentam mitigar essa dispersão. Eles buscam criar um elo direto entre as demandas municipais e as decisões federais ao apoiarem, respectivamente, Luana Nunes e o ex-governador Mauro Carlesse. A estratégia visa garantir que o Sul do Tocantins não seja apenas um “curral eleitoral” para candidatos externos, mas protagonista de suas próprias decisões.
Priorizar candidatos “paraquedistas”
A política é feita de escolhas, e as escolhas dos vereadores de Gurupi terão reflexo direto no volume de emendas parlamentares e na força de articulação da região nos próximos quatro anos. Ao priorizar candidatos “paraquedistas” ou alianças com oligarquias de outras regiões, o Legislativo local corre o risco de esvaziar a relevância política do Sul e Sudeste. Sem uma representação federal autêntica e comprometida com a geografia local, a região continuará à mercê de decisões tomadas por quem não conhece os problemas sociais, a poeira das nossas estradas nem as necessidades do nosso comércio e agronegócio.








