Deputados estaduais mobilizam bases com eventos simultâneos, levantando debate sobre benchmarking e a eficácia de projetos sociais isolados.
A política, assim como o marketing, utiliza o benchmarking — o estudo e adaptação de estratégias de sucesso dos concorrentes — como ferramenta de evolução. No entanto, em Gurupi, a linha entre a inspiração estratégica e a mera reação política parece cada vez mais tênue. Os deputados estaduais Eduardo Fortes e Gutierres Torquato, que estiveram em lados opostos nas eleições de 2022, agora protagonizam um embate direto por meio de eventos esportivos agendados para a mesma data: 3 de maio.
A polêmica gira em torno da Copa GT Interbairros, promovida por Torquato, e da Copa Fortes de Futebol Society, liderada por Fortes. O conflito de agendas gerou reações imediatas. Gutierres questionou a coincidência, sugerindo falta de planejamento ou “cópia absoluta” por parte do colega. Por outro lado, a assessoria de Fortes defende que o evento já estava em fase de divulgação desde o dia 21 de abril, minimizando a tese de reação deliberada.
Além da “Paternidade” Política
O histórico eleitoral de 2022 em Gurupi, onde Fortes obteve 10.431 votos contra os 4.099 de Torquato, serve de pano de fundo para essa disputa de espaço. Desde então, ambos investem em ações sociais e torneios, como a tradicional Copa do Craque e agora a Copa Fortes e GT Interbairros. Contudo, a análise técnica do benchmarking sugere que a eficácia dessas ações não deve ser medida pela “paternidade” do projeto, mas pelo impacto real na comunidade.
Como destacado em entrevista recente ao Portal Atitude por um multicampeão nacional e ex-treinador da Seleção Brasileira, projetos esportivos não podem ser tratados como “quebra-galhos” ou ações pontuais de calendário eleitoral. Para serem legítimos, precisam funcionar como ferramentas de transformação social para crianças e jovens, superando o simbolismo da paixão política.
Projetos que se complementam..
O embate entre Eduardo Fortes e Gutierres Torquato expõe um vício comum na política regional: a reatividade. Quando dois líderes concentram esforços em eventos idênticos no mesmo dia, o benefício social corre o risco de ser ofuscado pela disputa de ego.
O verdadeiro benchmarking político deveria resultar em projetos que se complementam, e não que se anulam. Para Gurupi, pouco importa quem é o “pai” da ideia; o que o eleitor exige é a transição de ações assistencialistas para políticas públicas perenes. Sem isso, o que resta é apenas o plágio eleitoral — uma cópia sem alma que atende a interesses imediatistas, mas falha em deixar um legado estruturante para a cidade.








