Estratégia busca transferir o capital político lulista para a pré-candidatura de Laurez Moreira ao Governo do Estado.
Por Wesley Silas
Os bastidores políticos em Brasília e no Tocantins indicam uma movimentação estratégica que pode redesenhar as forças eleitorais no estado. O vice-governador e pré-candidato ao Palácio Araguaia, Laurez Moreira (PSD), articula uma composição que poderá ter um nome do Partido dos Trabalhadores (PT) na vaga de vice em sua chapa majoritária.
Conforme apurado pelo Portal Atitude, Moreira foi chamado à capital federal para reuniões com a cúpula nacional do PSD. A agenda principal trata de uma aliança com o PT para garantir um palanque sólido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em solo tocantinense. O movimento ganha força com a recente filiação da ex-senadora Kátia Abreu ao PT, visando estreitar os laços entre o governo federal e o eleitorado regional.
O tabu Estadual e o desafio de 2026
Apesar da força popular, o PT enfrenta um paradoxo histórico no Tocantins. O presidente Lula ostenta um desempenho vigoroso no estado: desde a criação do Tocantins, Lula só perdeu apenas uma eleição em território tocantinense, ocorrida no pleito de 1989, quando foi derrotado por Fernando Collor de Mello. Em todas as disputas seguintes em que concorreu (2002, 2006 e 2022), o petista saiu vitorioso no estado.
O grande desafio da aliança PSD-PT, contudo, é a transferência de votos. Historicamente, o eleitor tocantinense separa o voto federal do estadual. O PT nunca conseguiu eleger um governador no estado e sua presença no Senado Federal foi restrita ao mandato de Donizeti Nogueira (PT), que assumiu em 2015 como suplente de Kátia Abreu. A aposta agora recai sobre o senador Irajá Abreu (PSD) e a estrutura do governo federal para quebrar essa resistência e consolidar o nome de Laurez Moreira entre a militância petista.
Habilidade dos articuladores
A tentativa de unir o PSD e o PT no Tocantins é uma manobra de alto pragmatismo. Ao buscar o apoio oficial da legenda de Lula, Laurez Moreira tenta capturar o “voto de legenda” que o PT detém, mas que costuma se dispersar nas eleições para o Governo. O sucesso desta coalizão dependerá da habilidade dos articuladores em convencer a base petista de que um candidato de centro é o melhor caminho para garantir a governabilidade e o alinhamento com Brasília. Se a transferência de votos ocorrer conforme o planejado, o cenário eleitoral tocantinense poderá registrar uma polarização sem precedentes.
Até o fechamento desta matéria, o vice-governador Laurez Moreira não foi localizado para comentar as tratativas. Entretanto, fontes da cúpula petista em Brasília confirmam que os diálogos estão avançados e que a prioridade é garantir o palanque presidencial no Tocantins.








