DA REDAÇÃO – A história do Brasil é marcada por figuras que desafiaram as convenções de sua época em prol do bem-estar coletivo. Entre esses nomes, destaca-se Anna Justina Ferreira Nery, reconhecida oficialmente como a pioneira da enfermagem no país e a primeira mulher a integrar o Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. Abaixo, o Portal Atitude compartilha o artigo do escritor Silvio Luzardo, que resgata a trajetória humanitária de Anna Nery na Guerra do Paraguai e detalha as homenagens recentes que mantêm viva a sua memória.
Artigo Científico
Nesta data, completa-se 146 anos do falecimento da baiana Anna Justina Ferreira Nery, chamada pelo poeta Rozendo Moniz Barreto de “A Mãe dos Brasileiros”. Consagrada como pioneira da enfermagem nacional em 1919 e incluída no Panteão dos Heróis da Pátria, em Brasília, no ano de 2009, Anna Nery deixou um legado de atuação humanitária durante a Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870).
No Brasil monárquico do século XIX, sua decisão de peticionar o Presidente da Província da Bahia despertou a atenção pública. Viúva desde os 29 anos, Anna Nery, então com 51 anos, dispôs-se a seguir para a região do conflito armado que envolveu Argentina, Brasil e Uruguai contra o Paraguai, governado por Francisco Solano López — cujas forças invadiram as províncias de Mato Grosso e Rio Grande do Sul, além de Corrientes, na Argentina.
O requerimento enviado pela baiana detalhava a intenção de servir ao país e acompanhar seus dois irmãos e três filhos (dois médicos e um militar), que integravam os Voluntários da Pátria. Pela dedicação e assistência humanitária aos feridos, ela recebeu homenagens de comunidades civis em Corrientes e Assunção. Posteriormente, em 1909, a Cruz Vermelha Internacional, em Paris, reconheceu Anna Nery como precursora do modelo de enfermagem que inspirou a criação da instituição.
As distinções à sua memória permanecem atuais. Além da publicação da obra Anna Nery, O Elo das Correntes (Martins Livreiro, 2021), a cidade de Cachoeira, na Bahia, inaugurou o Memorial Anna Nery, local para onde foram transladados os restos mortais da enfermeira.
Novos projetos também celebram seu nome: a Marinha do Brasil planeja o lançamento do navio de assistência hospitalar Anna Nery para atuar no Rio Amazonas; a Petrobras batizou um navio-plataforma na Bacia de Campos em sua homenagem; o Distrito Federal inaugurou o Espaço Visual Anna Nery no Metrô de Brasília; e o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) nomeou sua sede própria na capital federal como Edifício Anna Nery, em julho de 2025.
O conceito central da obra O Elo das Correntes reflete o esforço contínuo de reconhecimento da personagem histórica. Atualmente, a Divisão Mercosul do Itamaraty avalia uma proposta para que Anna Nery receba o título de Inspiradora do Mercosul. A iniciativa conta com o apoio do autor e de Solange Fiori Nery, trineta da homenageada e responsável pela preservação da memória da família Ferreira Nery.








