Por Wesley Silas
O Batalhão de Palmas sagrou-se campeão do Estadual Sub-20, mas a tradicional volta olímpica com a medalha no peito teve que ficar na imaginação dos atletas. Em um episódio que beira o amadorismo folclórico, as honrarias da Federação Tocantinense de Futebol (FTF) foram furtadas em pleno estádio por dois jovens, antes mesmo do apito final. O campeonato terminou com um campeão sem taça e uma organização sem explicações imediatas.
O sumiço da premiação e o “padrão FTF” de segurança
Enquanto os atletas se desdobravam em campo, a segurança do evento permitiu que a premiação oficial evaporasse. De acordo com a própria FTF, os suspeitos transitaram livremente pelo local para subtrair o material.
O Batalhão de Palmas garantiu o título técnico, mas o protocolo de premiação foi substituído por um constrangedor aperto de mãos e a promessa de que, “em uma data posterior”, as medalhas serão devidamente entregues. O episódio entra para a história do futebol local como o dia em que a logística da federação foi driblada por dois adolescentes.
Da elite mundial ao futebol de várzea: o contraste da gestão
O incidente ganha contornos de ironia diplomática ao observar a agenda da fidalguia do futebol tocantinense. No exato momento em que o cerimonial da FTF falhava em proteger uma caixa de medalhas na capital, o presidente da entidade, Leomar Quintanilha, desfrutava dos holofotes do futebol de elite, atuando como Chefe da Delegação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo FIFA 2026.
Enquanto a liderança máxima desfila nos modernos complexos esportivos norte-americanos, a base do futebol local padece com a ausência do básico: segurança interna e respeito ao planejamento.
Sintoma de prioridades invertidas
O furto das medalhas no Campeonato Sub-20 é a metáfora perfeita do futebol de província: dirigentes com pés na FIFA e instituições com a cabeça na várzea. A pressa em ocupar cargos de prestígio internacional parece obscurecer a obrigação primeira de zelar pelo quintal de casa. O episódio não é apenas um caso de polícia, mas um sintoma de prioridades invertidas. Tratar o futebol de base — o verdadeiro motor do esporte regional — com tamanha negligência logística é um desrespeito aos jovens que ainda acreditam no profissionalismo de uma federação que, visivelmente, não consegue proteger sequer o próprio patrimônio sob os seus olhos.







