Por Wesley Silas
Dados do Grupo de Pesquisa em Comunicação Política (COMP) da PUC-Rio mostram que o desempenho de candidatos no Instagram antecipou o resultado das urnas com até 92,7% de precisão nas eleições de 2022. No Tocantins, a análise dos perfis dos seis candidatos ao Palácio Araguaia indica vantagem de Vicentinho Júnior (PSDB), que lidera em número de seguidores e em ritmo de crescimento, embora a popularidade digital não se converta automaticamente em voto.
Instagram consolida-se como principal plataforma eleitoral
O levantamento da PUC-Rio analisou as 513 campanhas vitoriosas para deputado federal em 2022, cruzando dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com métricas das redes sociais. O resultado aponta o Instagram como a principal arena política digital do país e reforça a plataforma como complemento estratégico na divulgação de propostas de campanha.
Distância marca os perfis dos seis candidatos
Entre os seis concorrentes, a discrepância é acentuada. Os estreantes na disputa têm presença digital reduzida: Du Pereira (DC) conta com 1.162 seguidores e o Professor Witer (Federação Rede/PSOL), com 1.860. Entre os que exercem ou exerceram mandato eletivo, o ex-senador Ataídes Oliveira (Novo) tem 54 mil seguidores; o vice-governador Laurez Moreira (PSD), 89,4 mil; a Professora Dorinha (União Brasil), 92,5 mil; e o deputado federal Vicentinho Júnior, 125 mil.
Crescimento de Vicentinho supera o de Dorinha
A comparação entre os dois candidatos mais bem posicionados nas pesquisas mostra ritmos distintos. No início de julho, Dorinha tinha 89 mil seguidores e Vicentinho, 114 mil. Pouco mais de um mês depois, a candidata do União Brasil ganhou menos de 3 mil seguidores, enquanto o tucano somou 11 mil — crescimento cerca de quatro vezes superior.
Os números indicam ainda maior atividade do tucano na plataforma, com mais postagens e interações com o candidato ao Senado Alexandre Guimarães (MDB) e com familiares.
Contratação de influenciadores é proibida
A vantagem digital não autoriza a contratação de influenciadores para propaganda eleitoral. A Resolução 23.610/2019 do TSE, atualizada para 2026, veda que criadores de conteúdo sejam contratados ou pagos de qualquer forma para apoiar ou atacar candidatos. A manifestação de apoio é permitida apenas de forma espontânea, na condição de eleitor.
Blogueiro acumula condenações por ataques a Dorinha
A jurisprudência do TSE é clara: a propaganda negativa dentro dos limites da crítica é lícita, mas a ofensa à honra e à imagem de candidatos extrapola a liberdade de expressão e gera punição.
No Tocantins, a campanha registra caso exemplar. Um blogueiro de Palmas responsável por ataques à candidata Professora Dorinha acumula três condenações de mérito na Justiça Eleitoral — duas delas nesta semana — e R$ 83,2 mil em multas.
“Com 58 mil seguidores na sua página, Marasca, durante o semestre pré-eleitoral, publicou 290 postagens, sendo 210 (72,4%) a favor de Vicentinho e 80 (27,6%) contra a Professora Dorinha — incluindo dezenas de manipulações e fabricações deliberadas com mentiras”, contabilizou a defesa da candidata.
O advogado acrescentou que estão sendo avaliadas as medidas para o ajuizamento de Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), com fundamento em uso indevido dos meios de comunicação social, para apurar quem financia e mantém a estrutura do veículo. “É necessário identificar os responsáveis e os eventuais financiadores dessa atuação, esclarecer a existência de possíveis vínculos político-eleitorais e, comprovadas irregularidades, buscar todas as responsabilizações previstas na legislação eleitoral”, concluiu.
Atenção redobrada das informações de redes, antes de transformá-las em decisão de voto
A vantagem digital de Vicentinho representa ativo relevante em uma disputa acirrada, mas não determina o resultado das urnas, uma vez que popularidade e interação não se convertem automaticamente em voto. O caso do blogueiro condenado por ataques a Dorinha expõe o custo jurídico e reputacional de estratégias de propaganda negativa, supostamente, financiada: além das multas, a eventual AIJE pode atingir financiadores e candidatos beneficiados, com risco de inelegibilidade. Para o eleitor, o cenário impõe atenção redobrada à origem e à veracidade das informações que circulam nas redes, antes de transformá-las em decisão de voto.








