Na Câmara Federal, pedidos de registro recuam de 161 para 98; NOVO e Podemos lideram as desistências na estadual, e Missão, Republicanos e Podemos na federal
O número de candidatos a deputado estadual no Tocantins caiu de 312, em 2022, para 209 no pleito deste ano, recuo de 33%. Na disputa pela Câmara Federal, os pedidos de registro passaram de 161 para 98, queda de 39%. Os dados comparam as candidaturas protocoladas na Justiça Eleitoral nas duas eleições e mostram um encolhimento de 103 registros na Assembleia e de 63 na federal.
Cenário geral: queda nas proporcionais, estabilidade nas majoritárias
O recuo concentra-se nas disputas proporcionais. Senado e governo mantiveram o mesmo número de concorrentes:
- Senado: 13 candidatos em 2022, quando uma vaga foi disputada e vencida por Dorinha Seabra; 13 novamente em 2026, agora com duas cadeiras em jogo.
- Governo: 8 candidatos em 2022, mesmo número registrado em 2026.
Estadual: 14 baixas, NOVO e Podemos lideram
Dos 209 pedidos de registro para a Assembleia, 14 candidatos estão fora da disputa: 12 por renúncia, um por ausência de desincompatibilização e um por inelegibilidade infracional, caso de Otoniel Andrade (PRD).
O partido com mais baixas é o NOVO, com três renúncias entre 13 concorrentes. O Podemos também perdeu três candidatos entre 18 registros. Em seguida vêm Republicanos, Solidariedade e PSOL/Rede, com duas desistências cada, e União Brasil e PRD, com uma cada. No PSOL/Rede, os dois únicos candidatos que pediram registro deixaram a disputa.
Relação dos desistentes, por partido:
- NOVO (13 pedidos de registros). Desistiram: Adriano Royal Pet, Letícia Fernanda e Nelcivan Feitosa, por renúncia
- Podemos (18 pedidos de registros). Desistiram: Marcos Vicente, Luana Ribeiro e José do Podemos
- Republicanos (21): Iderval e Pedro Júnior, por renúncia
- Solidariedade (7): Gisele Rezek e Manoel Queiroz, por renúncia
- PSOL/Rede (2): Nilma Guerreira e Silvio de Sousa, por renúncia
- União Brasil (14): Elseni Milhomem, por renúncia
- PRD (15): Otoniel Andrade, por inelegibilidade infracional
Sem desistências registradas: PSDB (25 pedidos), MDB (19), PL (18), PSD (18), PT (12), PCdoB (7), DC (6), PV (4) e Democrata (3). O PP mantém sete candidatos, o menor número entre os partidos que informaram dados, com uma renúncia.
Federal: 98 registros e 12 baixas
A Justiça Eleitoral recebeu 98 pedidos de registro para a Câmara Federal; 12 candidatos estão inaptos para concorrer, a maioria por renúncia. Os partidos com mais baixas são Missão, Republicanos e Podemos, com dois casos cada.
Relação dos desistentes, por partido:
- Missão (6 pedidos registros): Desistiram, Brunna Fernandes e Daniel Basto
- Republicanos (7): Poliana Radar e Rosanio Fernandes
- Podemos (9): Paulo Baré e a professora Valéria Domingues
- União Brasil/PP (9 registros na federação): Lázaro Botelho, ex-deputado federal
- PSB (8): Ronaldo da Saúde
- Rede (4): Liliane Manicure
- NOVO (4): Bruno Freitas
- PSOL (sem número informado): Edgar Gomes
- PRD (2): Elmir Alves
Sem desistências: PL (9), PSDB (9), PDT (9), PT (6), DC (4), Democrata (3) e PV (2, na disputa por uma das oito vagas do Tocantins na Câmara).
Menos candidatos não significa disputa mais qualificada
A queda é sintoma do aumento do custo das campanhas proporcionais e da concentração de estrutura partidária: legendas como PT, PL, PSDB, PSD e MDB mantêm chapas completas, enquanto siglas menores perdem registros no meio do processo — no limite, o PSOL/Rede perdeu 100% da própria chapa na estadual. A retirada de Lázaro Botelho, nome com histórico eleitoral consolidado, reforça a leitura de que mesmo candidaturas viáveis enfrentam obstáculos de ordem legal e operacional.
O número menor de concorrentes, porém, não é por si sinal de amadurecimento. Nas eleições proporcionais, o risco de campanhas centradas na exposição pessoal, sem plataformas verificáveis, permanece. O quadro de 2026 exige do eleitor comparação direta entre projetos: siglas com chapas numerosas e financiamento robusto tendem a dominar o tempo de propaganda, e caberá ao voto avaliar se o encolhimento do mercado de candidaturas veio acompanhado de propostas mais concretas para Assembleia e Câmara.
Fonte: TSE








