Por Wesley Silas
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) viajou para os Estados Unidos nesta terça-feira (27) após descumprir a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para a entrega de seus passaportes à Polícia Federal. A informação sobre a presença do parlamentar em solo norte-americano e o apoio governamental para a viagem foi divulgada por um aliado da gestão Donald Trump e confirmada por fontes diplomáticas e governamentais.
Articulação internacional e descumprimento de ordem do STF
O advogado mexicano Simón Levy, ex-subsecretário de Turismo do México e aliado político do governo norte-americano, afirmou publicamente que a operação para a saída do senador brasileiro foi articulada diretamente pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Segundo Levy, Flávio Bolsonaro pretende permanecer em território americano para articular a oposição política ao governo eleito de Luiz Inácio Lula da Silva.
A determinação de retenção dos documentos de viagem havia sido expedida na segunda-feira (26) por Moraes. A medida fundamentou-se em manifestações públicas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que sugeriu que o irmão deveria deixar o país em caso de derrota no pleito presidencial.
Investigações em andamento e desdobramentos
Flávio Bolsonaro é alvo de dois inquéritos em curso no STF, que apuram supostas práticas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. As autoridades federais monitoram o descumprimento da medida cautelar, enquanto a ausência do parlamentar no país foi constatada após a falta de registros formais de saída pelos postos de controle migratório tradicionais e a ausência de suas filhas nas instituições de ensino em Brasília.
Impacto institucional e geopolítico
A saída não autorizada de um senador investigado e a subsequente alegação de auxílio por parte de altas autoridades dos Estados Unidos transformam uma pendência judicial doméstica em um atrito diplomático. A eventual concessão de asilo ou proteção informal a Flávio Bolsonaro testa os limites da cooperação judiciária internacional e tensiona as relações bilaterais entre o governo brasileiro e a administração norte-americana logo após o término do período eleitoral.







