Por Redação
Pesquisadores do Câmpus de Gurupi da Universidade Federal do Tocantins (UFT) desenvolveram um método mais simples e econômico para identificar metanol em álcool combustível. A técnica é fruto do mestrado em Química da UFT e consolida, junto com pesquisas promovidas pela Universidade Municipal de Gurupi (UNIRG), a cidade como um importante hub de pesquisa na região Norte do país.
A última inovação foi elaborada pela mestranda Fabíola Almeida Bezerra, do Programa de Pós‑Graduação em Química (PPGQ), sob orientação do professor Nelson Luis Gonçalves Dias de Souza. A dissertação será defendida em março de 2026. Os autores informam que já iniciaram os trâmites para pedir proteção intelectual junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Contexto e relevância
A presença de metanol em combustíveis líquidos é tema de fiscalização por representar risco técnico e econômico: o composto é corrosivo e pode comprometer componentes do motor, como bicos injetores, bombas de combustível e tubulações. O tema ganhou dimensão nacional em operações fiscais recentes (por exemplo, a Operação Carbono Oculto) e está relacionado às resoluções 807/2020 e 907/2022 da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que fixam o limite máximo de metanol em 0,5% na gasolina e no etanol combustível.
Sobre a técnica desenvolvida
O método desenvolvido por Fabíola Bezerra e Nelson Souza utiliza nanossensores colorimétricos: ao entrar em contato com metanol, o reagente altera sua coloração. Conforme relatam os pesquisadores, a análise é direta — basta misturar a amostra de álcool combustível com a solução do nanossensor e aguardar cerca de 30 minutos para observar o resultado. Quanto mais intensa a tonalidade amarela, maior a concentração de metanol detectada.
Segundo Souza, embora o uso de nanossensores não seja inédito na literatura científica, não havia, até então, aplicação descrita especificamente para a detecção de metanol em álcool combustível. A principal vantagem destacada pela equipe é a combinação de rapidez, baixo custo e simplicidade operacional, que torna possível a verificação in loco em bombas de postos de combustíveis.
Comparação com métodos convencionais
A mestranda Fabíola Almeida observa que os procedimentos padronizados pela ANP, baseados em cromatografia gasosa, demandam equipamentos mais caros e, em alguns casos, mais tempo para obtenção de resultados. Conforme a pesquisadora, a infraestrutura empregada na pesquisa da UFT reduz custos e possibilita uma análise colorimétrica em aproximadamente 30 minutos, frente a procedimentos que podem levar até uma hora e dependem de instrumentação de maior valor.
Impacto institucional e regional
Além do trabalho da UFT, estudos conduzidos pela Universidade Municipal de Gurupi (UNIRG) contribuem para posicionar Gurupi como um polo de investigação na região Norte do Brasil. A convergência de esforços acadêmicos locais reforça a capacidade da cidade em gerar soluções aplicadas para desafios regionais e nacionais relacionados à qualidade dos combustíveis e à segurança veicular.
Próximos passos
Os pesquisadores planejam concluir a defesa da dissertação e avançar com o pedido de patente no INPI. Estudos complementares e testes em campo poderão validar a aplicação do método em rotinas de fiscalização e em laboratórios de controle de qualidade.
Pesquisadores citados:
– Fabíola Almeida Bezerra, mestranda — Programa de Pós‑Graduação em Química (PPGQ), UFT (Câmpus de Gurupi).
– Nelson Luis Gonçalves Dias de Souza, professor orientador — UFT (Câmpus de Gurupi).








