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A intolerância: o caso Dandara

Atitude TocantinsPor Atitude Tocantins13 de março de 2017 - 21:213 minutos de leitura
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Enquanto isso a grande mídia praticamente ignorou esse crime hediondo e boa parte das pessoas fez de conta que nada aconteceu. Poucas vozes vieram á tona diante do episódio sórdido e trágico que foi o assassinato de Dandara. Somente nas redes sociais as pessoas sensíveis se manifestaram e denunciaram tal hediondez”. João Nunes da Silva.


João Nunes da Silva

Doutor em comunicação e cultura contemporâneas, Mestre em Sociologia e professor da UFT Campus de Arraias. Trabalha como projeto em cinema e educação


Vivemos tempos difíceis ou a humanidade sempre foi algo que não vale muito à pena?

Na semana passada, no interior do Ceará quatro adolescentes mais dois adultos armados com paus e pedras e revolver arrastaram uma pessoa pela rua, espancaram e assassinaram, enquanto outro filmava todos os detalhes do crime.  A pessoa era a travesti Dandara dos Santos, de 42 anos.

Segundo jornal online G1, do Ceará, “o crime aconteceu no dia 15 de fevereiro, no Bairro Bom Jardim, e ganhou repercussão nas redes sociais após o compartilhamento do vídeo que mostra a travesti sendo agredida por um grupo no meio da rua”. Confira AQUI.

Dandara dos santosEnquanto isso a grande mídia praticamente ignorou esse crime hediondo e boa parte das pessoas fez de conta que nada aconteceu. Poucas vozes vieram á tona diante do episódio sórdido e trágico que foi o assassinato de Dandara. Somente nas redes sociais as pessoas sensíveis se manifestaram e denunciaram tal hediondez.

Dandara era uma travesti, e o crime de que foi vítima é legitimado pelo silêncio dos covardes e ignorantes, especialmente porque julgam que gays, lésbicas travestis e afins não são dignos; porque mesmo?

Para os ignorantes que legitimam tamanha barbaridade o que fizeram com Dandara não deve ser algo que alguém se preocupe, afinal era apenas um travesti.

O assassinato de Dandara parece não ter chocado muitos, enquanto que a encenação da crucificação feita por uma artista gay na 19ª Parada Gay em São Paulo, em 2015, denunciando os crimes a homofobia, chocou muito mais.

Francisca Ferreira de Vasconcelos. 75 anos, exibe fotos da filha Dandara  (Foto: Mariana Parente)
Francisca Ferreira de Vasconcelos, 75 anos, exibe fotos da filha Dandara (Foto: Mariana Parente)

A cena do crime até parece não ser tão hedionda assim para os fanáticos e fascistas, mas a encenação da crucificação de um travesti denunciando as injustiças e os maus tratos contra a comunidade gay e contra os direitos humanos mereceu muito mais destaques até pela mídia, não pela denuncia da homofobia, mas porque foi feito por um travesti e que utilizava dos símbolos cristãos.

No Brasil a expectativa de vida do travesti é de 35 anos e a cada dia acontece pelo menos um crime relacionado à homofobia.

Se a maioria silencia diante do crime típico de homofobia, como aconteceu com Dandara, é exatamente porque tacitamente há uma legitimação desse tipo de crime.

O preconceito e a intolerância infelizmente é uma realidade que ainda perdurará por muito tempo; fato que  está relacionado a cultura, ao fanatismo e  a ignorância.

DandaraNos últimos anos a temática GLBT tem sido mais presente nos meios de comunicação. Na TV, por exemplo, nos programas diários e nas novelas a discussão em torno dos direitos da pessoa humana tem aparecido cada vez mais e de forma menos caricaturada.

Mas o preconceito ainda é preocupante e, infelizmente, os crimes de homofobia tem sido legitimado na sociedade pelas suas instituições tradicionais e pela ignorância da maioria.

Ainda falta muito para evoluirmos como humanos, pois sequer saímos da intolerância.

Dandara dos Santos João Nunes da Silva
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