Da Redação
O Ministério Público do Tocantins (MPTO) estabeleceu uma série de prazos e medidas para garantir que pacientes com câncer não fiquem sem atendimento durante a transferência dos serviços de oncologia do Hospital Geral de Palmas (HGP) para o Hospital de Amor. A intervenção ocorre após a identificação de falta de medicamentos básicos, aumento nos indicadores de óbitos e filas de espera que chegam a 60 dias para consultas de retorno.
Crise no abastecimento e prazos administrativos
Durante audiência conduzida pela promotora de Justiça Araína Cesárea, a Secretaria Estadual da Saúde (SES) comprometeu-se a apresentar um levantamento detalhado dos medicamentos em falta na ala oncológica do HGP. Entre os itens escassos estão aciclovir, dexametasona e morfina. O Estado deve indicar quais fármacos possuem substitutos e apresentar o cronograma de entrega dos processos licitatórios em andamento.

Paralelamente, o Hospital de Amor precisa regularizar cadastros administrativos e sanar pendências estruturais detectadas no processo de implantação da unidade. Os primeiros prazos para o envio dessas informações venceram nesta segunda-feira, 8 de junho.
Redução de profissionais e demanda reprimida
A 27ª Promotoria de Justiça da Capital manifestou preocupação com a saída de profissionais da oncologia do HGP, o que reduziu a capacidade operacional da unidade. Atualmente, a fila da urologia oncológica soma 253 pacientes.
O MPTO determinou que as instituições apresentem dados precisos sobre o número de pacientes que aguardam o primeiro atendimento especializado e aqueles que já estão em tratamento, mas enfrentam atrasos em exames e procedimentos.
Indicadores de internações e óbitos
Dados apresentados na audiência revelam um cenário alarmante: houve um aumento de 59% nas internações e de 80% nos óbitos oncológicos ao comparar o bimestre abril/maio de 2025 com o mesmo período de 2026. Diante da gravidade dos números, o Ministério Público cobrou uma análise técnica detalhada para identificar se a elevação da mortalidade está diretamente ligada às falhas na assistência e à transição dos fluxos de atendimento.
Fiscalização da transição
A promotoria acompanha a elaboração dos planos técnicos e a estruturação de serviços como oncopediatria, cuidados paliativos e odontologia oncológica na nova unidade. O objetivo é assegurar que a absorção da demanda pelo Hospital de Amor ocorra sem interrupções nos tratamentos em curso. As providências pactuadas devem ser implementadas gradualmente ao longo do mês de junho.
Espaço Aberto: Este portal reserva espaço para que a Secretaria Estadual da Saúde (SES) se manifeste oficialmente sobre os pontos citados e apresente os esclarecimentos necessários à sociedade.








