da redação
Em uma reviravolta política de última hora, o deputado federal tocantinense Ricardo Ayres (Republicanos) foi preterido da relatoria da CPMI do INSS, que investiga uma fraude bilionária na Previdência Social. A mudança ocorreu após uma articulação da oposição que resultou na eleição do senador Carlos Viana (Podemos-MG) como presidente da comissão – cargo que estava inicialmente alinhado para ser ocupado por um governista.
A manobra configura um revés significativo para o governo federal e seus principais aliados no Congresso, incluindo os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
A INDICAÇÃO FRUSTRADA
A indicação de Ricardo Ayres como relator havia sido anunciada publicamente pelo presidente da Câmara em 15 de agosto, por meio de suas redes sociais, quando desejou “um excelente trabalho nessa pauta tão relevante para o país”.
Em entrevistas, Ayres comprometera-se a conduzir um trabalho “técnico, imparcial e transparente”, prometendo investigar todos os envolvidos sem distinção política. O deputado chegou a ser cotado para produzir o documento final da CPMI, com possíveis pedidos de indiciamento.
A ARTICULAÇÃO DA OPOSIÇÃO
A reviravolta concretizou-se horas antes da instalação oficial da CPMI, nesta quarta-feira (20). Bancadas de oposição, com destaque para o PL, uniram-se em torno de um único candidato à presidência. Nomes como Eduardo Girão (Novo-CE) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) articularam o movimento que garantiu 17 votos para Carlos Viana, superando os 14 votos do governista Omar Aziz (PSD-AM).
Com a vitória, Viana exerceu sua prerrogativa de presidente e indicou o deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL) como novo relator. Gaspar é conhecido por sua postura alinhada ao bolsonarismo e anteriormente atuou como relator no processo que livrou o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) de suspensão por tentativa de golpe de Estado.







