Por Wesley Silas
O deputado federal e pré-candidato ao Governo do Tocantins, Vicentinho Júnior, anunciou publicamente que votará a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da jornada de trabalho de seis dias por um de descanso (escala 6×1). A declaração foi feita por meio de uma publicação em sua conta oficial na rede social X. O posicionamento representa uma mudança na condução do parlamentar sobre o tema, visto que, no final de 2024, ele havia optado por não assinar o texto original da proposta.
Mudança de posicionamento e histórico legislativo
Em 2024, quando o debate sobre a PEC — de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) — obteve repercussão nacional, Vicentinho Júnior não endossou o projeto inicial. Na ocasião, o parlamentar tocantinense manifestou apoio a uma proposta alternativa, apresentada pelo deputado Maurício Marcon, que priorizava a livre negociação de horas trabalhadas e a flexibilização de pontos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Ao justificar a mudança de postura, o deputado afirmou que a decisão atual decorre de um período de análise técnica e consultas a diferentes setores. Segundo a publicação do parlamentar, a adesão ao voto favorável ocorreu após diálogos mantidos com especialistas da área trabalhista, representantes do setor empresarial e categorias de trabalhadores locais e nacionais.
Alinhamento da bancada e relações setoriais
Com a decisão, Vicentinho Júnior soma-se ao deputado Ricardo Ayres (Republicanos) como os nomes da bancada federal do Tocantins a declarar apoio formal à extinção da jornada 6×1.
O pré-candidato argumentou que a medida busca estabelecer um equilíbrio nas relações trabalhistas, com foco na preservação da saúde mental dos empregados, sem que isso resulte em prejuízos estruturais ou financeiros para as empresas locais e para o setor produtivo do estado.
Equilibrar a base
O recuo estratégico de Vicentinho Júnior reflete a necessidade de adequação do discurso parlamentar às vésperas das articulações para as eleições majoritárias estaduais. Ao migrar de uma agenda estritamente liberal e alinhada ao mercado para o apoio a uma pauta de forte apelo popular, o deputado busca ampliar seu eleitorado e mitigar potenciais desgastes junto às classes trabalhadoras de média e baixa renda. O movimento sinaliza uma tentativa de equilibrar sua base de apoio histórica, concentrada no agronegócio e no empresariado tocantinense, com demandas sociais difusas, diminuindo o espaço de crítica para os adversários políticos na disputa pelo Palácio Araguaia.







