Caminhada liderada por Karynne Sotero e pela prefeita Josi Nunes mobiliza milhares de pessoas e reforça a busca pelo protagonismo feminino no Governo e na Câmara Federal.
Por Redação
Apesar de representarem 52% do eleitorado brasileiro, as mulheres ocupam apenas cerca de 18% das cadeiras no Congresso Nacional. A discrepância evidencia a ineficácia prática da legislação que estabelece a cota mínima de 30% para candidaturas e repasse de recursos partidários. No Tocantins, o cenário reflete um retrocesso institucional direto: a bancada feminina na Assembleia Legislativa encolheu de 20,8% em 2018 para 12,5% em 2022, confirmando que a presença de mulheres na disputa não tem se revertido em ocupação real dos cargos eletivos.

Em Gurupi, terceiro maior colégio eleitoral do estado, o debate sobre o espaço feminino ganhou visibilidade com a caminhada do movimento “Mulheres com Dorinha”. A mobilização reuniu a primeira-dama do Estado, Karynne Sotero, a prefeita Josi Nunes, a candidata a deputada federal, Luana Nunes e a senadora Professora Dorinha, candidata ao Governo do Tocantins. O ato percorreu as ruas centrais do município com a proposta de engajar a comunidade na defesa da presença feminina nos cargos de decisão estadual e na Câmara Federal e Estadual.
Durante o percurso, a primeira-dama Karynne Sotero conclamou a militância a intensificar o trabalho de busca de votos nesta reta final de campanha. A prefeita Josi Nunes reforçou que o fortalecimento da representatividade das mulheres reflete diretamente no suporte às famílias e na formulação de políticas públicas locais. Por sua vez, a candidata Dorinha destacou propostas como a expansão da rede de creches para assegurar a autonomia de mães trabalhadoras, além de garantir maior participação feminina na gestão pública estatal.
Eventos de rua como o registrado em Gurupi demonstram capacidade de organização e apelo popular, mas também expõem os limites da política tradicional. O verdadeiro avanço da representatividade não se constrói apenas com caminhadas festivas ou discursos de ocasião em períodos eleitorais; exige o desmonte efetivo das barreiras internas mantidas pelos próprios partidos.
Enquanto a presença feminina for tratada como mero cumprimento de cotas ou instrumento de mobilização secundária, os índices de ocupação nas bancadas estadual e federal continuarão em queda. O desafio de Tocantins, e de Gurupi em particular, é converter o discurso de apoio em votos e mandatos reais, superando a distância entre a maioria do eleitorado e a minoria nos espaços de poder.







