Com margem de erro apertada, a disputa ao Palácio Araguaia depende menos do confronto direto entre os finalistas e mais da redistribuição dos votos dos demais candidatos e Laurez (PSD), caso não consiga ir para o segundo turno, junto com Ataídes Oliveira (Novo), poderá ser o maior reservatório de votos do segundo turno.
Por Wesley Silas
Faltando cerca de duas semanas para o primeiro turno, o cenário ao governo do Tocantins segue indefinido. As pesquisas mais recentes apontam a senadora Professora Dorinha(União Brasil) e o deputado federal Vicentinho Júnior(PSDB) em situação de empate técnico, com vantagem numérica alternando conforme o instituto. Nesse quadro, os candidatos que hoje aparecem fora do páreo ganham peso decisivo: são eles que podem desequilibrar a balança no segundo turno.
No levantamento da Paraná Pesquisas divulgado em meados de setembro, Dorinha aparece com 40,6% das intenções de voto, enquanto Vicentinho soma 34,1%. A diferença de 6,5 pontos, porém, não garante tranquilidade: somados, os demais concorrentes concentram cerca de 15% do eleitorado, e mais de 10% ainda se dividem entre indecisos e votos em branco ou nulo.
A Real Time Big Data, que ouviu eleitores no mesmo período, reforça o aperto: Dorinha registra 35% e Vicentinho, 33%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
O papel dos derrotados no segundo turno
É no confronto direto do segundo turno que a importância dos demais candidatos fica mais clara. A Paraná Pesquisas coloca Dorinha com 46,8% e Vicentinho com 42,3%, diferença que cabe na margem de erro de 2,6 pontos. Já a Real Time inverte os números e aponta Vicentinho numericamente à frente, com 43%, contra 41% da senadora.
O dado mais relevante, contudo, está fora desse duelo direto. O vice-governador Laurez Moreira, do PSD, que oscila entre 6,5% e 9% nas pesquisas, é o maior reservatório de votos do segundo turno. Quando colocado frente a frente com cada um dos líderes, o resultado revela quem se beneficia de sua ausência: Dorinha o venceria por 50% a 32%, enquanto Vicentinho o superaria por 48% a 34%. Ou seja, a disputa pelo eleitorado de Laurez é tão estratégica quanto a própria campanha dos finalistas.
Siqueira Campos Jr e o voto de protesto
Além de Laurez, o cenário conta com outro ator que pode redistribuir votos: Siqueira Campos Jr, do Democrata, com cerca de 4,9% das intenções. Herdeiro de um nome tradicional da política estadual, ele concentra um eleitorado que, no segundo turno, tende a migrar para um dos finalistas—ou para o voto nulo, dependendo da capacidade de cada campanha de conquistá-lo.
Completam o quadro Ataides de Oliveira(Novo, 2,8%), Du Pereira(Democracia Cristã, 0,5%) e Professor Witer Naves(Psol, 0,3%). Somados aos indecisos e aos que declaram voto em branco ou nulo, esses segmentos representam algo entre 20% e 25% do eleitorado—um contingente maior que a própria diferença entre Dorinha e Vicentinho em qualquer cenário testado.
Uma eleição com lógica própria
O cenário tocantinense difere da polarização nacional. Enquanto na disputa presidencial a eleição se organiza em torno de clivagens de região, renda e religião, no Tocantins a disputa é essencialmente local, de gestão e de apoios. Dorinha chega à reta final como principal nome do campo governista, apoiada pelo governador Wanderlei Barbosa e sustentada por uma coligação ampla que reúne União Brasil, Republicanos, Podemos, Avante e PL—ou seja, o próprio campo bolsonarista estadual está ao seu lado. Vicentinho, que deixou o PP e migrou para o PSDB para disputar o governo, se apresenta como alternativa ao grupo no poder e vem em curva ascendente desde agosto, quando oscilava entre 24% e 28% nas pesquisas.
É essa assimetria que torna o segundo turno imprevisível. Com os dois líderes tecnicamente empatados e cerca de um quarto do eleitorado fora do confronto direto, a eleição ao Palácio Araguaia se decidirá menos pelo que Dorinha e Vicentinho dizem um sobre o outro—e mais pela capacidade de cada um atrair os votos de Laurez Moreira, de Siqueira Campos Jr e dos demais candidatos que ficarem pelo caminho no primeiro turno.
Em uma disputa tão apertada, cada ponto percentual herdado de um adversário derrotado pode ser a diferença entre governar o Tocantins e voltar para casa.







