Durante a inauguração da Casa das Mulheres Tocantinenses, prefeita disse que foi alvo de ataque por “ser mulher e idosa” na eleição municipal e afirmou que a mobilização feminina alterou o cenário da campanha; no tabuleiro estadual, Josi se posiciona no palanque da senadora Dorinha (UB), pré-candidata ao governo, em disputa com o vice-governador Laurez Moreira (PSD).
A prefeita de Gurupi, Josi Nunes, retomou nesta quinta-feira (24), durante a inauguração da Casa das Mulheres Tocantinenses, um episódio da eleição municipal de 2020 para falar sobre discriminação contra mulheres na política. Em vídeo do evento gravado pela reportagem do Portal Atitude, Josi afirmou que foi atacada “por ser mulher e por ser idosa” e disse que a reação pública de lideranças femininas ajudou a mudar o ambiente eleitoral naquele período.
“Eu fui discriminada num processo político por ser mulher e por ser idosa; disseram que eu não sabia administrar”, declarou. Em seguida, acrescentou que ouviu que, pela idade, deveria “estar reclusa” e “não era mais para estar exercendo nenhuma função”. Para a prefeita, o episódio reforça a necessidade de união e apoio entre mulheres em espaços de poder.
Na fala, Josi citou a então deputada Cláudia Lelis e a deputada Luana Ribeiro como duas parlamentares que gravaram um vídeo em sua defesa na época. Segundo a prefeita, a manifestação teve impacto direto no ambiente político: “isso mudou o cenário daquela época… as mulheres se uniram”, afirmou.
Do contexto local ao tabuleiro estadual
Embora o discurso tenha ocorrido em um evento com foco em políticas públicas de proteção às mulheres, a lembrança de 2020 também tem leitura política no presente. Josi é uma das principais lideranças do Sul do Estado e está alinhada ao grupo que apoia a senadora Dorinha Seabra (União Brasil) como pré-candidata ao Governo do Tocantins.
Do outro lado, o vice-governador Laurez Moreira (PSD) é apontado como provável adversário na disputa pelo Palácio Araguaia. A tendência é de uma campanha marcada por consolidação de palanques regionais, com Gurupi e municípios do entorno disputados por diferentes forças políticas e com forte ênfase em narrativas, sobretudo sobre capacidade de gestão, trajetória e alianças.
Como deve ser a campanha deste ano
A configuração inicial sugere três linhas centrais de disputa:
- Palanques e bases municipais: o interior deve ter papel decisivo, e lideranças com voto local — como Josi — passam a ser peça-chave.
- Narrativa de gestão e resultados: Dorinha tende a explorar articulação política e capacidade de atrair recursos; Laurez, experiência administrativa e presença no Executivo estadual.
- Polarização entre grupos: UB, PSD, Republicanos, PSDB e Novodevem competir por alianças, com reflexos nas chapas proporcionais e no desenho de apoio em cada região.
Tema relevante na agenda pública
Ao trazer a discussão sobre discriminação para o centro do discurso em um ato institucional, Josi coloca um tema relevante na agenda pública: a violência política de gênero e seus efeitos na participação feminina. O desafio para a campanha que se aproxima é transformar esse debate em compromissos verificáveis — com políticas públicas, dados e prioridades — e evitar que a eleição se reduza a episódios do passado ou a embates pessoais, especialmente em um Estado onde saúde, infraestrutura e proteção social seguem como demandas urgentes.







