Por Wesley Silas
O 2º Encontro de Vereadores e Servidores das Câmaras Municipais do Tocantins (ASSCAM) transcendeu sua natureza técnica para se consolidar como o marco zero da sucessão estadual de 2026. O que se viu no palco não foi apenas um debate legislativo, mas uma coreografia política ensaiada, onde a estratégia do “morde e assopra” ditou o ritmo de um palanque antecipado diante de uma plateia repleta de lideranças municipais e claques organizadas com o pontapé iniciado por Vicentinho Júnior.
O Protagonismo de Vicentinho Júnior
O deputado federal Vicentinho Júnior (PSDB) assumiu as rédeas da antecipação do debate. Ao mesmo tempo em que exaltou sua lealdade e atuação na vitoriosa campanha do governador Wanderlei Barbosa, o parlamentar enviou sinais claros de autonomia.
Em seu discurso, (assista neste link) Vicentinho buscou demarcar território, e demonstrar força política e capilaridade nas bases.
Alianças e movimentações estratégicas
A proximidade pública com o presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres (Republicanos), somada à sinalização de uma aliança com o deputado federal Alexandre Guimarães (MDB), revela que Vicentinho pavimenta um caminho próprio. O objetivo parece ser o equilíbrio entre a manutenção na base governista e a construção de uma candidatura majoritária robusta.
O tom das parcerias foi selado pela fala incisiva de Alexandre Guimarães:
“A mesa que eu quero servir é a de Vicentinho e Amélio Cayres juntos”, pontuou o parlamentar e pré-candidato ao Senado.
A Reação dos Gigantes: Dorinha e Eduardo Gomes
Contudo, na política, toda ação gera uma reação proporcional. A tentativa de Vicentinho de dominar a narrativa encontrou resistência imediata em figuras de peso do cenário federal. A senadora Professora Dorinha (União Brasil) e o senador Eduardo Gomes (PL) não deixaram as investidas sem resposta, estabelecendo limites sobre o “tempo da política”.
Dorinha, ao rebater as indiretas, criticou a pressa eleitoral, classificando o momento como inadequado para palanques. Com a firmeza institucional que lhe é característica, disparou: “Não confundam educação com moleza”. A frase impôs um limite ético, defendendo que o foco atual deve ser o trabalho parlamentar, e não a antecipação de cargos.
Já o senador Eduardo Gomes, mestre na síntese política, desdenhou da estratégia de “recados” via terceiros. Com ironia fina e autoridade, sentenciou:
“Não trabalho nos Correios e não tenho autorização para entregar cartas ou recados”.
A mensagem de Gomes foi direta: diálogos com ele ocorrem de forma institucional e sem intermediários, minimizando qualquer pressão exercida por bravatas de palanque.
O encontro da ASSCAM confirmou que 2026 já é uma realidade no Tocantins. Se, por um lado, Vicentinho Júnior, com foco de provocar a sua presença no segundodemonstra apetite para o embate e agilidade nas composições, por outro, os atuais ocupantes das cadeiras no Senado sinalizam que não aceitarão atropelos ou pressões inoportunas.
O eleitor assiste agora ao início de um jogo de xadrez sofisticado, onde cada palavra é um movimento calculado e cada silêncio, uma estratégia de sobrevivência e poder.











