Por Wesley Silas
O cenário político no Tocantins continua em construção. Com a proximidade das convenções partidárias — que ocorrem entre 20 de julho e 5 de agosto — as articulações deixam os gabinetes e ganham as ruas. O foco central das discussões no momento é a composição da chapa encabeçada pela senadora Dorinha Seabra (União Brasil), pré-candidata ao Palácio Araguaia.
Para consolidar uma candidatura competitiva frente a nomes como o vice-governador Laurez Moreira (PSD), o deputado federal Vicentinho Júnior (PSDB) e o empresário Ataídes Oliveira (Novo), a escolha do vice tornou-se estratégica. Sob as bênçãos do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), três nomes do seu partido emergem como favoritos para compor a vaga.
Força setorial e equilíbrio regional
A base governista avalia critérios que vão além da afinidade política, buscando representatividade em setores importantes da sociedade tocantinense:
Oswaldo Stival: Representa o poder do agronegócio. Sua indicação é vista como um contraponto necessário na região sul e sudeste do Estado, reduto eleitoral de Laurez Moreira. Stival traz o peso econômico e a interlocução direta com os produtores rurais.
Coronel Márcio Barbosa: O ex-comandante da Polícia Militar carrega a bandeira da segurança pública. Sua presença na chapa garante o apoio orgânico das forças de segurança e atrai o eleitorado que prioriza a ordem e a autoridade.
Eli Borges: Com um histórico consolidado na política e forte penetração no segmento evangélico, o pastor Eli Borges é o nome capaz de mobilizar uma base conservadora fiel e capilarizada em todos os municípios.
O peso da escolha
A definição do vice de Dorinha Seabra não será apenas uma decisão administrativa, mas o termômetro da coesão do grupo político liderado por Wanderlei Barbosa. Ao oferecer três nomes de perfis tão distintos — agro, segurança e religião — o Republicanos deixa claro que detém o controle das cartas mais valiosas do jogo.
Entretanto, a estratégia carrega um risco: ao privilegiar um setor, o governo pode gerar descontentamento nos demais. A habilidade de Dorinha e Wanderlei será testada na capacidade de unificar essas forças sem fragmentar a base. O “vice ideal” não será apenas aquele que soma votos, mas o que anula as vantagens dos adversários. No Tocantins, a eleição se ganha nos detalhes, e o Palácio Araguaia sabe que não há margem para erros na montagem deste quebra-cabeça.








