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Opinião: Entre o amadorismo e a falta de sintonia: A experiência de um vestibulando expõe fragilidades da gestão da Unirg

Atitude TocantinsPor Atitude Tocantins10 de dezembro de 2025 - 18:325 minutos de leitura
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Por Gilberto Correia da Silva

Em pleno 2025, quando processos digitais já deveriam representar eficiência, agilidade e respeito ao estudante, a Fundação Unirg parece dar passos para trás. A instituição, que anuncia novos cursos e aposta no vestibular digital como modernização, patina em ações básicas de comunicação e atendimento. A impressão deixada é preocupante: a universidade estaria jogando contra si mesma.

Nos últimos dias, ao realizar minha inscrição para o novo curso de Inteligência Artificial, aposta ousada e inovadora, vivi uma sequência de desencontros que ilustram problemas maiores na engrenagem administrativa da Unirg.

Lançar cursos sem comunicação: uma contradição institucional

A Unirg abriu dois novos cursos: Inteligência Artificial e Nutrição. No entanto, quem busca informações sobre eles encontra quase nada. Não há campanhas publicitárias visíveis, não há peças nas redes oficiais, e tampouco a agência contratada para esse fim parece estar produzindo conteúdo. Enquanto isso, bolsistas improvisam spots e gravações que, por si só, denunciam a ausência de profissionalismo na divulgação.

O resultado? A adesão aos cursos ocorre quase exclusivamente por boca a boca, pela dedicação de alguns professores e pelo esforço de estudantes interessados. Uma realidade incompatível com uma instituição que deveria disputar espaço no cenário educacional regional.

O vestibular digital que falhou no básico

Minha própria experiência reforça esse cenário de inconsistências. Em 30 de novembro, finalizei minha inscrição e, imediatamente, recebi o boleto, com vencimento em 8 de dezembro, o que paguei rigorosamente no prazo. Agendei a prova online para o dia 9. Recebi, ainda no dia 1º, uma mensagem do Disk Vestibular afirmando que, um dia antes, eu receberia orientações e o link de acesso.

O dia 8 passou em silêncio. O dia 9 inteiro, também.

Somente às 22h19, após uma provocação minha questionando o não envio, surgiu uma mensagem automática, enviada por WhatsApp, contendo o link para a avaliação. A essa altura, já estava deitado e comuniquei que faria a prova no dia seguinte. Mais tarde, ao responder, uma atendente às 8h da manhã, destaquei o horário inoportuno do envio. A resposta veio descolada da realidade: “o link está disponível na mensagem”. E, por fim, recomendaram que eu reagendasse.

Reagendei, aliás, solicitei por email, conforme orientação. Mas a questão permanece. Como uma universidade perde candidatos por erros elementares em atendimento?

Um sintoma de problemas mais profundos

Esses episódios, que podem parecer triviais, apontam para uma realidade estrutural. A falta de sintonia entre a Fundação Unirg e a gestão acadêmica. O cabo de guerra político-administrativo, alimentado por rusgas internas, sobreposição de poderes e ausência de clareza hierárquica, termina por produzir precarização institucional.

Quando setores não conversam entre si, é o estudante quem sofre. Quando uma agência contratada não entrega, e ninguém cobra, é o nome da universidade que vai ao chão. Quando o básico falha com a comunicação, atendimento, organização, toda a instituição fica exposta.

A Unirg, com seus 40 anos de história, merecia estar vivendo uma fase de consolidação, não de fragmentação.

Um time que joga contra o próprio time

A sensação é de que existe um grupo trabalhando, enquanto outro parece sabotar, por omissão ou lentidão, voluntária ou não. Nada prova conspirações, mas o amadorismo repetido aponta para algo tão grave quanto: falta de gestão.

Num momento em que universidades do país têm investido em captação, inovação, marketing e atendimento humanizado, a Unirg parece andar na contramão, arriscando perder alunos para instituições mais organizadas e mais alinhadas às novas demandas educacionais.

Menos burocracia, mais gestão

Talvez seja hora de a Unirg repensar sua estrutura administrativa. O modelo atual, com múltiplos polos de poder, ruídos constantes entre reitoria e fundação, decisões lentas e disputas internas, parece já ter esgotado sua capacidade de gerar resultados.

É urgente que a instituição tenha um único gestor forte, simultaneamente reitor ou reitora e ordenador de despesas. Isso reduziria o excesso de burocracia, daria celeridade às decisões e eliminaria muito do ruído que paralisa processos simples, como enviar um link de prova no horário correto.

O aluno merece respeito

A universidade existe para o aluno, não ao contrário. E respeito ao aluno começa pelo básico, com comunicação eficiente, processos funcionais, informações claras e cumprimento de prazos.

O que vivi nesses dias, infelizmente, não corresponde ao que se espera de uma instituição que carrega o nome e a responsabilidade da Unirg. Não é um caso isolado. É um retrato. E todo retrato, por mais incômodo que seja, serve para mostrar onde estão as rachaduras.

Resta saber se a Unirg terá a coragem de olhar para as suas.

Por Gilberto Correia da Silva

Vestibulando

P.S. Enviei email às 9 da manhã deste dia 10 e até agora, 17 horas, não tive resposta, nem no zap, nem no email.

Obs.: Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas locais, regionais,   brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

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